Empresário cria inteligência artificial para interpretar sinais de filho com síndrome rara
Desenvolvedor de software criou ferramenta que analisa movimentos e expressões para auxiliar no cuidado de filho com condições neurológicas.
Por Redação Diário Local
Um empresário e desenvolvedor de software de Brasília criou um sistema de inteligência artificial para ajudar a interpretar os sinais e movimentos de seu filho, que possui condições neurológicas e genéticas complexas. A ferramenta, chamada Monitor Noah, busca registrar manifestações de Noah Alencar Casimiro, de 1 ano e três meses, e organizar as informações para a família e para os profissionais de saúde.
Noah apresenta diagnósticos de síndrome de West e da síndrome genética rara de Sandestig-Stefanova, associada a uma alteração no gene NUP188. Devido às condições, o menino não se comunica verbalmente, possui limitações de movimento, utiliza traqueostomia e suporte ventilatório, além de apresentar redução do tônus muscular (hipotonia).
O desenvolvimento do sistema começou em dezembro de 2025, após a família enfrentar dificuldades para contabilizar episódios de movimentos involuntários e possíveis crises convulsivas.
Como funciona a ferramenta?
O sistema utiliza uma câmera posicionada acima do berço que transmite imagens para um computador. A inteligência artificial analisa as sequências de vídeo para observar alterações faciais, movimentos dos braços, posição corporal e outros padrões que necessitem de revisão.
Ao identificar um evento, o Monitor Noah pode registrar o horário, sugerir uma classificação e armazenar um trecho da gravação. O software também conta com um painel que exibe informações como medicações, linha do tempo de procedimentos e gráficos de temperatura.
O projeto inclui módulos para monitoramento de sono, despertar e sinais de desconforto. De forma experimental, o sistema possui um recurso de narração que transforma certos sinais em frases, como uma representação de que o bebê acordou ou está incomodado.
Limitações e uso médico
O desenvolvedor Halison do Nascimento Casimiro ressalta que a ferramenta ainda está em fase de desenvolvimento e exige confirmação humana para as classificações. Ele reforça que o monitor não é um substituto para a observação humana e não tem a capacidade de detectar todas as convulsões.
Apesar das limitações, o uso dos registros tem auxiliado nas consultas médicas. A família utiliza os dados organizados para fornecer detalhes sobre a frequência de episódios aos profissionais, o que permitiu ajustes nas medicações de Noah.
O objetivo do desenvolvedor é disponibilizar uma versão básica gratuita que funcione com computadores simples e câmeras domésticas, após avanços na validação técnica e clínica do projeto.
