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Tecnologia

Mulheres usam Inteligência Artificial para checar histórico de pretendentes antes de encontros

Ferramentas de inteligência artificial agilizam a busca por dados públicos e processos, servindo como estratégia de autoproteção.

Por Redação Diário Local

Mulheres estão adotando o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para pesquisar o histórico de pretendentes antes de marcar encontros. Plataformas como Plinq, Puft.IA e Checki conseguem reunir e organizar dados de fontes públicas, como processos judiciais e Diários Oficiais, em poucos segundos.

A prática funciona como uma estratégia de autoproteção diante dos índices de violência de gênero. De acordo com o estudo Global Burden of Disease, publicado na revista The Lancet, cerca de 11 milhões de mulheres no Brasil sofreram violência de parceiro íntimo em 2023, número que representa entre 10% e 14% das mulheres brasileiras com 15 anos ou mais.

Como funciona a busca por dados?

O uso da tecnologia não consiste na descoberta de informações novas, mas na velocidade de organização de dados já existentes. Vinicius Kfuri, doutorando em Inteligência Artificial na França e professor do Instituto Latino-Americano de IA, explica que o sistema atua em três etapas: coleta de dados em fontes abertas, identificação da pessoa e organização das informações.

Na fase de coleta, sistemas automatizados consultam tribunais e redes sociais com perfis públicos. Já na etapa de identificação, o desafio é garantir que o registro pertence de fato ao alvo da busca, o que envolve cálculos de probabilidade para evitar confusão entre pessoas com nomes semelhantes.

Por fim, a IA generativa atua na organização, transformando links e documentos em relatórios com linguagem simplificada. Kfuri alerta, porém, que essa etapa é sensível ao risco de 'alucinação', quando a inteligência artificial produz um texto que parece correto, mas contém informações falsas ou interpretações equivocadas.

Quais são os riscos da ferramenta?

Um dos principais problemas é a homonímia, que ocorre quando pessoas diferentes possuem o mesmo nome. No Brasil, a abundância de sobrenomes comuns aumenta a chance de um relatório associar dados de um terceiro ao pretendente pesquisado.

Além disso, especialistas pontuam que a existência de um processo judicial não implica condenação. O indivíduo pode aparecer no registro como testemunha, parte ou autor de uma ação, e não necessariamente como réu. Por isso, a consulta às fontes originais é indispensável para validar qualquer achado.

Outro ponto de atenção é a falsa sensação de segurança. Segundo Kfuri, a ausência de registros em sistemas não garante a conduta de um indivíduo, pois muitas situações de violência não deixam rastros que permitam a identificação por essas ferramentas. A tecnologia deve servir para facilitar a busca, e não para emitir um veredito sobre a índole de alguém.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.