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Tecnologia

Uso sem critério de inteligência artificial gera 'trabalho desleixado' e prejuízos em empresas

Fenômeno chamado de workslop produz conteúdos superficiais que exigem revisão e causam perda de tempo e produtividade.

Por Redação Diário Local

O uso sem critério da inteligência artificial (IA) tem gerado o fenômeno conhecido como 'workslop' (trabalho desleixado), que produz conteúdos com aparência profissional, mas que são superficiais ou genéricos. Esse tipo de material exige correções ou reconstrução total, transferindo a carga de trabalho para quem recebe a tarefa em vez de economizar tempo.

De acordo com um levantamento da BetterUp Labs, realizado em parceria com o Stanford Social Media Lab, 40% dos trabalhadores afirmam já ter recebido conteúdos classificados como workslop. A pesquisa estima que 15,4% de todo o material recebido pelos funcionários se encaixe nessa categoria.

O impacto no tempo e nas finanças é relevante. Segundo o estudo, os funcionários gastam, em média, 1 hora e 56 minutos para lidar com cada ocorrência de material inadequado. A perda financeira estimada é de US$ 186 por mês para cada trabalhador afetado, o que pode resultar em um prejuízo anual superior a US$ 9 milhões em uma organização com 10 mil colaboradores.

Como o 'workslop' afeta as relações de trabalho?

Além do impacto financeiro, a qualidade do material produzido por IA impacta o ambiente profissional. Mais da metade dos trabalhadores ouvidos (53%) relatou sentir irritação ao receber conteúdos que exigem retrabalho, enquanto 38% sentiram confusão ou sensação de desrespeito.

A reputação de quem envia o material também pode ser prejudicada. Segundo a BetterUp Labs, profissionais que utilizam a tecnologia de forma desleixada tendem a ser vistos como menos criativos, competentes e confiáveis pelos colegas, dificultando novos projetos em conjunto.

O cenário de adoção da tecnologia é contrastante. Um estudo do Upwork Research Institute com 2.500 profissionais mostrou que 96% dos executivos acreditam que a IA elevará a produtividade. No entanto, 77% dos trabalhadores afirmam que a carga de trabalho aumentou e 71% relataram sinais de burnout (esgotamento profissional).

Quais os riscos e como evitar erros?

Especialistas alertam que a inteligência artificial deve ser tratada como um ponto de partida, e não como uma entrega final. A revisão humana continua sendo indispensável para evitar as 'alucinações' da tecnologia, que é quando os sistemas inventam informações ou apresentam dados incorretos e sem respaldo.

Outro ponto de atenção é a segurança de dados. Informações estratégicas, financeiras ou pessoais não devem ser inseridas de forma indiscriminada nas plataformas de IA. Por conta disso, empresas estão estabelecendo regras sobre quais ferramentas são permitidas e quais conteúdos podem ser compartilhados.

A IBM aponta que 87% das organizações brasileiras ainda não possuem práticas formais de governança em inteligência artificial. Já no Itaú, mais de 56 mil funcionários utilizam ferramentas corporativas de IA generativa, que passam por avaliações prévias de segurança, ética e conformidade.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.