Primeira urna eletrônica do Brasil foi usada em 1996 com tecnologia de disquete e teclado de borracha
Modelo UE96 utilizou disquetes de 1,44 MB e processador Intel 386SX para informatizar as eleições municipais.
Por Redação Diário Local
A primeira urna eletrônica do Brasil, o modelo UE96, estreou nas Eleições Municipais de 1996 com o objetivo de informatizar a votação e substituir as cédulas de papel. O equipamento foi implementado para buscar maior segurança no processo eleitoral e diminuir a ocorrência de fraudes na apuração.
Na época do lançamento, a tecnologia atendia a cerca de 30% do eleitorado nacional. O uso do equipamento foi regulamentado pela Lei nº 9.100/1995 e concentrado em 57 municípios, o que incluía capitais, cidades com mais de 200 mil eleitores e todo o estado do Rio de Janeiro.
A introdução do sistema eletrônico visava eliminar fraudes históricas comuns no método de apuração manual. Entre os problemas combatidos estavam o preenchimento irregular em urnas de lona e a prática conhecida como "voto formiguinha".
Como funcionava a tecnologia do modelo UE96?
O projeto original da UE96 foi desenvolvido por técnicos da Justiça Eleitoral, de ministérios e das Forças Armadas. O modelo possuía formato retangular, teclado numérico de borracha e uma aparência que remetia a eletrodomésticos de mesa.
Em termos de hardware, a urna contava com um processador Intel 386SX de 40 MHz e 2 MB de memória RAM. Para a gravação e a transferência dos dados criptografados das eleições, o sistema utilizava dois disquetes de 1,44 MB.
A transição para as memórias digitais
Em 1998, no pleito seguinte ao da estreia, o equipamento passou por uma reforma visual e adotou o formato monobloco. Essa mudança acompanhou a modernização do hardware para suportar a expansão do sistema de votação pelo país.
Os disquetes foram substituídos pelas primeiras mídias de estado sólido, que utilizavam a tecnologia flash. Essa evolução técnica permitiu que a votação eletrônica saltasse para 60% do eleitorado em 1998.
A expansão do modelo eletrônico foi acelerada até atingir a cobertura total dos votantes no Brasil. No ano de 2000, o sistema já alcançava 100% do eleitorado nacional, consolidando a substituição definitiva do modelo de papel.
