Fapesp, Unicamp e Samsung criam centro para detectar doenças via smartwatches
Novo centro pretende usar inteligência artificial em relógios e anéis inteligentes para identificar precocemente Parkinson e arritmias cardíacas
Por Diário Local
A Fapesp, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e a Samsung lançaram um novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) voltado para o uso de inteligência artificial em dispositivos vestíveis. O objetivo é transformar smartwatches e anéis inteligentes em ferramentas de diagnóstico precoce para doenças como Parkinson e arritmias cardíacas.
O projeto busca rastrear alterações biológicas sutis que podem antecipar a identificação de condições graves antes que os sintomas se tornem clinicamente evidentes. Os dispositivos já possuem sensores capazes de medir frequência cardíaca, pressão arterial, temperatura e condutividade da pele; a proposta é processar esses dados simultaneamente via algoritmos de IA.
Como a tecnologia funcionará?
A inteligência artificial analisará padrões nos dados coletados pelos sensores. No caso do Parkinson, a tecnologia poderá monitorar tremores, alterações no padrão de sono e na marcha. Para a saúde cardiovascular, o dispositivo poderá atuar como um eletrocardiograma contínuo, identificando riscos de infarto, AVC (acidente vascular cerebral) e arritmias.
Um diferencial do centro é o foco na variabilidade individual. Em vez de usar apenas padrões médios da população, o sistema será treinado para compreender que cada corpo é único. Além disso, os pesquisadores buscam a 'explicabilidade', garantindo que a IA não apenas indique um risco, mas explique o motivo da conclusão para que médicos possam validar a informação.
Os algoritmos pretendem ser 'embarcáveis', o que significa que o processamento deve ocorrer diretamente no relógio ou anel, permitindo respostas em tempo real sem depender exclusivamente de classificações manuais.
Segurança e monitoramento contínuo
Diferente das consultas médicas tradicionais, que costumam ser episódicas, o uso de dispositivos inteligentes permite o monitoramento 24 horas por dia. Isso possibilita a detecção de padrões que não seriam percebidos em uma avaliação pontual de poucos minutos.
Para garantir a privacidade, o projeto seguirá diretrizes de comitês de ética, com participação voluntária e consentimento dos usuários. Há uma preocupação central com a proteção de dados sensíveis para evitar que vazamentos resultem em discriminação, como em processos de seleção de emprego.
A iniciativa é um desdobramento de uma colaboração que já dura cinco anos entre a Unicamp e a Samsung. Com o aporte inicial de R$ 20 milhões, a Fapesp atuará como cofinanciadora, dobrando o investimento realizado pela empresa privada.
