Ford retorna à Fórmula 1 como parceira tecnológica da Red Bull em 2026
Fabricante estadunidense contribui com tecnologia de simulação e fabricação para nova geração de motores híbridos
Por Redação Diário Local
A Ford Racing retornou à Fórmula 1 em 2026 como parceira técnica da Red Bull Powertrains, fornecedora de motores das equipes Red Bull Racing e Racing Bulls. A parceria, estruturada desde 2023, foca no desenvolvimento de unidades de potência para o novo regulamento técnico da categoria.
A nova unidade de potência, denominada DM01, já registrou vitórias com o piloto Max Verstappen no GP do Bahrein (na Malásia), em Sepang, e no GP de Singapura. No último fim de semana (neste domingo (1)), o piloto também venceu a corrida no GP dos Estados Unidos, em Austin.
O retorno da fabricante estadunidense ocorre em um cenário de mudanças profundas nas regras. Embora a Fórmula 1 mantenha os motores de combustão interna V6 turbo de 1,6 litro, a participação da energia elétrica na propulsão foi ampliada significativamente.
Com as novas normas, a potência do MGU-K — sistema de recuperação de energia cinética — subiu de 120 kW para até 350 kW. Além disso, o regulamento eliminou o MGU-H, sistema que recuperava energia térmica dos gases de escape, exigindo maior eficiência dos demais componentes.
A Ford aproveita o projeto para aplicar conhecimentos desenvolvidos em veículos híbridos e elétricos. O foco de sua contribuição técnica envolve o gerenciamento de baterias, motores elétricos, eletrônica de potência e softwares de controle.
Como funciona a parceria técnica entre Ford e Red Bull?
A colaboração segue um modelo de engenharia integrada, com a Red Bull Powertrains liderando o projeto e a fabricação em Milton Keynes, na Inglaterra. A Ford Racing contribui com especialistas, ferramentas de desenvolvimento e tecnologias de fabricação.
Um dos destaques é o uso da fabricação aditiva, também conhecida como impressão 3D. Segundo a Ford, essa tecnologia permitiu reduzir o tempo de produção de determinados componentes protótipos de 16 para apenas cinco dias.
A fabricante também atua no desenvolvimento de partes complexas do motor de combustão, no sistema de admissão de ar e em sistemas de recuperação de energia. O trabalho é realizado de forma conjunta entre engenheiros nos Estados Unidos e no Reino Unido.
O impacto da simulação digital no desempenho
A Ford contribui com ferramentas digitais avançadas, como o modelo xROM (Experimental Reduced Order Model). Desenvolvido pelo engenheiro Kevin Ruybal, o programa simplifica modelos computacionais complexos para prever o comportamento da unidade de potência.
De acordo com a empresa, a ferramenta consegue executar simulações aproximadamente mil vezes mais rápido que o tempo real. Isso acelera o ciclo de engenharia, permitindo validar soluções e identificar mudanças necessárias em intervalos muito menores.
O sistema também é utilizado em simuladores de pilotagem. Dessa forma, os pilotos podem avaliar a resposta da unidade de potência e realizar calibrações antes de levar as configurações para a pista de corrida.
Histórico e conquistas na categoria
A vitória em Sepang marcou o primeiro triunfo de um carro associado ao nome Ford na Fórmula 1 desde 2003. Para a fabricante, o resultado representa a 177ª vitória em sua trajetória na categoria.
O sucesso também marca a transição da Red Bull para uma estrutura técnica própria. Após anos utilizando motores de fornecedores externos, a equipe agora compete com uma unidade desenvolvida por sua própria estrutura em parceria com a Ford.
