Advogados de São Paulo são investigados por golpe de US$ 48 milhões com minério de cassiterita
Esquema envolveu a substituição de minério de cassiterita por brita em contêineres enviados para o exterior, segundo a Polícia Federal.
Por Redação Diário Local
Dois advogados de São Paulo, Guilherme Luiz Altavista Romão e Santiago André Schunck, são investigados pela Polícia Federal por um esquema de fraude que envolveu a exportação de cargas de cassiterita substituídas por pó de brita. A investigação aponta que a fraude teria causado um prejuízo de aproximadamente US$ 48 milhões à multinacional suíça Gerald Metals.
De acordo com representação da Polícia Federal, o minério negociado no esquema tinha origem na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A procedência legal era ocultada por meio de documentos que simulavam uma origem legítima.
O crime foi identificado após a abertura de contêineres que foram enviados do Brasil para a Tailândia, China e Malásia. Os primeiros carregamentos apresentavam menos de 1% de estanho, apesar de deverem conter o concentrado de cassiterita, minério conhecido como “ouro negro”.
Segundo o documento da PF, dos 129 contêineres enviados, 109 foram abertos e todos continham areia ou brita em vez do minério que deveria ser comercializado.
Como funcionava o esquema financeiro
Schunck e Romão são apontados como intermediários entre o principal articulador da fraude, Diego Possebon, e duas doleiras responsáveis por operacionalizar o fluxo de dinheiro. O mecanismo utilizado era o conhecido "dólar-cabo", que permitia a compensação de valores em dólares nos Estados Unidos por transferências em reais no Brasil, sem o transporte físico da moeda entre os países.
Na estrutura descrita pela Polícia Federal, os advogados são classificados como "executores". Eles teriam ficado responsáveis pela contratação das doleiras, que internalizavam parte dos valores pagos pela empresa suíça por meio de contratos e suporte logístico, jurídico e de crise.
A operação previa o pagamento de uma comissão de 3% sobre as transações, sendo que 1% desse valor seria destinado ao escritório de Schunck e Romão.
Operação Disco de Ouro
O caso está relacionado aos fatos investigados na Operação Disco de Ouro, deflagrada em dezembro de 2023. A Polícia Federal aponta Diego Possebon como o responsável por intermediar a compra dos minérios extraídos da Terra Indígena Yanomami com uma empresa norte-americana e a Gerald Metals.
O advogado de defesa das doleiras, Eduardo Maurício, afirmou que o caso tramita em segredo de Justiça e destacou a gravidade da extração ilegal de minérios em terras indígenas. A Polícia Federal informou que não se manifestará sobre investigações em andamento.
