ANPD determina suspensão de lives no Discord no Brasil após morte de adolescente
Agência determinou a interrupção de transmissões ao vivo em três dias úteis para garantir proteção de crianças e adolescentes.
Por Redação Diário Local
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo (lives) da plataforma Discord no Brasil em um prazo de três dias úteis. A medida é classificada pelo órgão como uma ação preventiva para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.
A decisão foi tomada após a análise de informações apresentadas pela empresa e reuniões com representantes da plataforma. Segundo a ANPD, foram encontradas evidências de que o Discord não implementou medidas adequadas para prevenir a exposição de menores a conteúdos de risco, como violência e indução à automutilação.
A suspensão não interrompe o uso total do aplicativo, mas foca especificamente na funcionalidade 'Go Live', utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados. Segundo o superintendente de Fiscalização da ANPD, Fabrício Lopes, o objetivo é reduzir danos graves a usuários jovens.
Por que as lives foram suspensas?
A agência apontou três problemas principais que motivaram a punição. Primeiro, o uso recorrente das transmissões para a prática de assédio, violência e incentivo ao suicídio e à automutilação.
Segundo a fiscalização, o Discord possui sistemas falhos que não permitem que a empresa acesse o conteúdo das lives em tempo real. Dessa forma, as violações de normas só são identificadas por meio de denúncias dos participantes, e não por monitoramento preventivo da plataforma.
Além disso, a ANPD relatou que a empresa realizou mudanças técnicas que reduziram a proteção de crianças e adolescentes no serviço. A agência afirmou que a percepção após as reuniões foi de que menores estão desprotegidos por uma opção da companhia de não implementar controles robustos.
Aumento de denúncias e contexto internacional
O cenário de insegurança na plataforma é reforçado por dados da organização Safernet. Entre janeiro e julho de 2026, as denúncias envolvendo o Discord cresceram 54% em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando 406 ocorrências.
O caso ganha relevância após a repercussão do suicídio de uma menina de 13 anos, transmitido via rede em julho. A primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, também havia solicitado o bloqueio da plataforma na última semana em razão dos episódios.
Internacionalmente, o Discord enfrenta restrições severas. O serviço está banido em países como Rússia, Turquia, Egito e Irã, entre outros, muitas vezes devido ao descumprimento de ordens judiciais para remoção de conteúdos ilegais.
