Avó de comprador da Naskar tem Alzheimer e vivia em bairro de classe média em Uberlândia
Idosa com diagnóstico de Alzheimer é apontada pela Polícia Civil como escudo patrimonial para o neto, o empresário Douglas Azara.
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) identificou que Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos, tem sido utilizada como escudo patrimonial pelo neto, Douglas Silva de Oliveira Azara. A idosa, que possui diagnóstico de Alzheimer, reside atualmente em um condomínio de classe média em Uberlândia (MG).
Apesar de constar como titular de empresas e contas que movimentaram valores milionários, a vida de Célia tem um perfil de baixa renda. Seu último vínculo empregatício registrado foi como recepcionista de seguro-saúde, com salário de R$ 1.019. O único patrimônio formal registrado em seu nome é uma motocicleta Honda CG, ano 1997, com valor estimado em R$ 6,2 mil.
Segundo as investigações, Douglas Azara, que é o responsável legal da avó, utilizava a procuração da idosa para assinar documentos de empresas e abrir contas bancárias. A polícia afirma que Célia não tinha consciência dos crimes ou do volume de dinheiro que passava por suas contas.
Como funcionava o esquema patrimonial?
De acordo com a PCMG, o nome de Célia foi colocado na linha de frente para servir como blindagem. Ela figurava como titular de empresas de fachada, como as nomeadas Serygma, TRX e Truviax, para onde eram transferidos recursos desviados.
As autoridades constataram que foram realizados mais de 300 pagamentos de boletos no nome da idosa, somando um montante superior a R$ 1,5 milhão. Esse valor era utilizado para abastecer o Banco Phoenix, instituição que tem Douglas Azara como único sócio.
A investigação aponta que Douglas utilizava a condição de saúde da avó para ocultar o verdadeiro beneficiário das movimentações e dificultar o rastreamento das autoridades.
O desvio contra a Zema Financeira
Douglas é investigado como mentor de um esquema que desviou R$ 60 milhões da Zema Financeira, empresa ligada à família do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. O golpe teria ocorrido por meio de uma credencial de acesso vazada ou obtida ilegalmente de um prestador de serviço da empresa de tecnologia Stefanini.
Ao acessar o sistema, o grupo criminoso realizou transferências para empresas de fachada e contas de laranjas. A Polícia Civil identificou que o endereço IP utilizado para a invasão partiu da residência de Douglas, em Anápolis (GO).
A defesa de Douglas Silva de Oliveira Azara nega qualquer participação no desvio. O empresário alega que sua plataforma bancária foi utilizada por terceiros e que está colaborando com a Justiça para provar sua inocência.
