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Mudanças Climáticas

Cidades brasileiras têm baixa capacidade de adaptação a eventos climáticos, aponta estudo

Estudo da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos mostra que 65% dos municípios têm baixa capacidade frente a eventos climáticos.

Por Redação Diário Local

Cerca de 65% dos municípios brasileiros possuem baixa ou muito baixa capacidade de adaptação a eventos climáticos, segundo levantamento da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). O dado foi divulgado nesta quinta-feira (6) durante o evento “Impactos econômicos e sociais pelas mudanças climáticas no Brasil”, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade, na zona sul de São Paulo.

O debate ocorreu em um cenário de preocupação com fenômenos como o ciclone-bomba e a aproximação do Super El Niño. Especialistas discutiram como esses eventos climáticos testam a capacidade de resposta dos governos estaduais e municipais diante de desastres progressivos.

De acordo com Daniel Miranda, coordenador de Relações Institucionais da FNP, o Brasil enfrenta um desafio de governança climática. Ele explicou que a política nacional é centralizada no Comitê Interministerial sobre Mudanças Climáticas, o que limita a atuação local.

Atualmente, estados e municípios participam por meio de uma câmara que envia um coordenador ao comitê interministerial. No entanto, esse representante possui apenas direito a voz, sem poder de voto, o que deixa as cidades — onde o impacto climático é direto — sem espaço na tomada de decisões.

Desafios de financiamento e técnica

A capacidade de resposta das prefeituras também é prejudicada pela falta de recursos e suporte especializado. Segundo a FNP, o sistema de crédito atual é estruturado com base em regras bancárias convencionais, e não pelo nível de risco climático de cada região.

Essa lógica financeira compromete a capacidade adaptativa de estados e municípios. Além do entrave econômico, o levantamento aponta que a falta de capacidade técnica instalada nas prefeituras é um fator que impede o combate eficiente às mudanças no clima.

O estudo da entidade revelou ainda um aumento da população em municípios mais vulneráveis. Em 2000, 38 milhões de brasileiros viviam em cidades de menor renda; em 2024, esse número saltou para 44 milhões de moradores.

Em contrapartida, o crescimento nas cidades de maior renda foi mais lento. Em 2000, esses municípios abrigavam 12 milhões de pessoas, número que passou para 13 milhões após 24 anos, evidenciando o estresse sobre as cidades com menos recursos para enfrentar crises ambientais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.