Diário Local
Educação

Especialista orienta como lidar com conflitos e manter o diálogo com filhos adolescentes

Coordenadora do Colégio Loyola orienta famílias sobre a importância da escuta ativa e da construção de acordos para evitar o rompimento da conexão

Por Redação Diário Local

A convivência entre pais e filhos adolescentes exige a construção e a reconstrução constante de canais de diálogo para evitar o rompimento da conexão familiar. De acordo com Isabel Santana, coordenadora do Núcleo de Educação para a Paz do Colégio Loyola, o acolhimento de conflitos deve ser feito por meio de uma escuta real e sem julgamentos imediatos.

A especialista orienta que os adultos precisam praticar o que chama de "ouvidos de dois tempos": olhar para o presente para entender o ciclo de vida do jovem, mas também resgatar as próprias memórias da adolescência. Esse exercício ajuda a compreender as incertezas e sentimentos de quem está na transição entre a infância e a vida adulta.

Muitas vezes, a busca por uma harmonia rápida pode gerar uma sensação de paz superficial. O silêncio, que parece ser uma solução para evitar discussões, pode acabar escondendo problemas mais profundos, como regras impostas de forma unilateral ou a falta de conexão real entre os membros da família.

Quando o diálogo é interrompido por respostas como "me deixa em paz", pode haver uma dificuldade de acesso à cultura de paz no cotidiano. Para evitar que os embates se tornem barreiras permanentes, é necessário que os responsáveis estejam dispostos a ouvir de forma desarmada, sem apresentar opiniões ou soluções prontas de imediato.

Como melhorar a conexão com o adolescente?

Para fortalecer o vínculo, a orientação é evitar o terreno das acusações mútuas que costumam ser infrutíferas. Isabel Santana defende o compartilhamento cuidadoso dos sentimentos, permitindo que o conflito seja tratado a partir da vivência de cada parte envolvida.

A prática da empatia é citada como uma ferramenta para entender o que motiva ou aflige o jovem em seus diferentes espaços de convívio, seja em casa ou na escola. Entender que a adolescência é um período de busca por autonomia ajuda o adulto a não transformar o limite em uma barreira intransponível.

O papel dos acordos na convivência familiar

Os conflitos podem ser transformados em oportunidades para a criação de novos acordos. A especialista ressalta que a construção de pequenos combinados, que sejam cumpríveis por ambas as partes, é fundamental para a melhoria do relacionamento em torno de um problema específico.

Essas proposições conjuntas ajudam a superar situações de mágoa que têm o potencial de minar a convivência pacífica. O objetivo é que a convivência seja baseada em intenções compartilhadas, e não apenas na imposição de autoridade.

A ideia de busca ativa pela paz também se aplica ao ambiente escolar. No Colégio Loyola, a cultura de paz é trabalhada de forma que os conflitos não sejam vistos como algo a ser simplesmente evitado, mas como chances de crescimento pessoal e coletivo.

A instituição utiliza as situações de discordância para promover o engajamento e o desenvolvimento dos alunos. A abordagem parte do princípio de que o conflito é uma realidade inevitável em qualquer relação humana, mas sua gestão pode ser construtiva.

A manutenção da harmonia depende, portanto, de escolhas contínuas de cada indivíduo. O empenho em alcançar a paz exige determinação pessoal, seja no ambiente familiar, nos condomínios, nas escolas ou nas comunidades em que os cidadãos estão inseridos.

A convivência pacífica é vista como um investimento contínuo de ações e pequenos gestos. Sem o esforço para manter os canais de comunicação abertos, o convívio pode ser prejudicado pela correria do cotidiano e pelo ritmo tecnológico que domina as relações atuais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.