Ministério Público Militar rejeita reabertura de investigação sobre morte de soldado em quartel
Decisão considera que novo parecer técnico apresentado pela família não traz provas inéditas sobre o óbito de Christian de Paiva Korosi
Por Redação Diário Local
O Ministério Público Militar (MPM) rejeitou, nesta quarta-feira (4), o pedido para reabrir a investigação sobre a morte do soldado Christian de Paiva Korosi, ocorrida em 2024 dentro de um quartel do Exército em São Paulo. A decisão sustenta que o novo parecer técnico apresentado pela família do jovem não trouxe provas inéditas capazes de justificar uma nova apuração sobre o caso.
Christian de Paiva Korosi morreu em 27 de julho de 2024, atingido por um tiro de fuzil na cabeça enquanto trabalhava como sentinela no 2º Batalhão de Suprimento, na zona oeste da capital paulista. A investigação militar concluiu que a morte foi um suicídio, tese que a família contesta há dois anos e quatro meses.
Segundo o promotor Renato Brasileiro de Lima, o documento apresentado pela família apenas questiona conclusões periciais que já haviam sido analisadas anteriormente. Para a promotoria, a elaboração de um parecer por uma entidade privada não representa, por si só, uma prova nova para o processo.
O MPM afirma que os laudos oficiais e os depoimentos colhidos durante a instrução apontam para suicídio, sem evidências de participação de terceiros. Com a decisão, o novo atendimento foi arquivado, sendo estabelecido um prazo de dez dias para a apresentação de eventual recurso.
A mãe do soldado, Juliana Korosi Paiva, manifestou indignação com a decisão. Ela busca provar que a morte do filho não foi um suicídio e questionou a necessidade de novas provas para que as autoridades aceitem investigar o caso novamente.
A perícia particular contratada pela família identificou inconsistências na investigação realizada pelo Exército. Entre os pontos citados estão divergências sobre a trajetória do projétil, sinais de tiro encostado ou a curta distância e falhas na preservação da cena do crime.
O levantamento particular também apontou demoras no processo, como o intervalo de 58 dias para o envio do fuzil à perícia e a entrega do celular de Christian à família somente sete meses após o ocorrido, sem que o aparelho tivesse passado por análise técnica.
Juliana relatou ainda o recebimento de uma carta anônima, supostamente escrita por um soldado, que menciona perseguições e humilhações praticadas por dois tenentes contra o jovem. O documento também cita o funcionamento de câmeras de segurança no dia do fato e o possível apagamento de evidências.
Paralelamente, a família procurou a Defensoria Pública da União (DPU) para denunciar irregularidades na apuração. Em relatório de setembro, a Defensoria registrou os questionamentos sobre a investigação, mas considerou insuficientes os elementos disponíveis para concluir pela existência de violações de direitos humanos.
