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Ciência

Estudo com corais revela que episódios de El Niño são mais intensos após a era industrial

Pesquisa com recifes nas ilhas Galápagos reconstrói clima dos últimos mil anos e aponta impacto da era industrial

Por Redação Diário Local

Um estudo realizado pela Universidade de Michigan analisou a composição química de corais nas ilhas Galápagos para reconstruir o clima dos últimos mil anos e concluiu que os episódios de El Niño tornaram-se significativamente mais intensos após a era industrial. A pesquisa utiliza registros preservados nos recifes para indicar que eventos climáticos de grande intensidade ficaram mais frequentes após o início da industrialização.

A análise foi publicada na revista científica Science e busca preencher a escassez de dados históricos confiáveis. Medições de temperatura via satélite existem apenas desde o início da década de 1980, período insuficiente para avaliar o comportamento do fenômeno antes da queima massiva de combustíveis fósseis.

Como os corais registram o clima?

Os pesquisadores analisaram corais vivos e fossilizados para identificar variações de temperatura através de elementos químicos. Os corais crescem entre um e dois centímetros por ano e incorporam indicadores no processo de formação de seus esqueletos.

A climatologista Julia Cole, da Universidade de Michigan, explicou que a proporção entre estrôncio e cálcio serve como termômetro: em águas mais frias, os corais incorporam mais estrôncio; em águas mais quentes, a quantidade é menor. Outro indicador utilizado foi a proporção entre diferentes isótopos de oxigênio.

Com esses dados, a equipe conseguiu identificar que os eventos de El Niño são mais intensos em comparação ao período pré-industrial. Segundo Cole, os registros apontam para a hipótese de que o aquecimento do planeta está relacionado à intensidade recente dos episódios.

Quais são os riscos para os oceanos?

Além das mudanças climáticas globais, o aumento da temperatura da água gera uma ameaça direta aos recifes. O fenômeno pode causar o branqueamento de corais, processo em que os animais expulsam as algas microscópicas que lhes fornecem energia por meio da fotossíntese.

Thomas Felis, do Centro MARUM de Ciências Marinhas Ambientais da Universidade de Bremen, afirma que se as temperaturas elevadas se mantiverem por muito tempo, os corais acabam morrendo. A perda desses ecossistemas representaria a destruição de importantes registros naturais da história climática dos oceanos.

Especialistas como Andreas Fink, do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), recomendam cautela. Ele destaca que, embora os corais ofereçam alta resolução temporal, os dados dependem de condições ambientais locais, o que gera incertezas na comparação com dados instrumentais modernos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.