Diário Local
Belo Horizonte

Reconstituição de crime em BH gera desconfiança entre moradores e profissionais de limpeza

Moradores de Belo Horizonte relatam medo de contratar novos prestadores de serviço após latrocínio de casal no bairro São Pedro

Por Diário Local

A reconstituição do latrocínio de um casal ocorrido no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, gerou uma crise de confiança entre moradores e profissionais de limpeza na capital mineira. Enquanto vizinhos relatam o receio de contratar novos prestadores de serviço, profissionais da categoria de diaristas afirmam que o caso prejudicou a imagem de todos os trabalhadores da área.

O procedimento de reprodução do crime aconteceu nesta quarta-feira (8/7) e contou com a presença de investigadores, peritos e moradores. Durante a movimentação, a chegada da investigada foi recebida com hostilidade por pessoas que acompanhavam a ação em frente ao edifício onde o crime foi cometido.

Moradores da região expressaram preocupação com a dificuldade de encontrar novos prestadores de serviços de confiança. Algumas vizinhas afirmaram que pretendem passar a exigir referências detalhadas antes de permitir a entrada de profissionais em suas residências.

O que aconteceu no bairro São Pedro?

A investigação aponta que o crime ocorreu no dia 29 de junho. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a diarista teria usado comprimidos de clonazepam para dopar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária aposentada Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, antes de desferir golpes de faca contra o casal.

Após os assassinatos, a suspeita teria levado joias, relógios, celulares e R$ 18 mil em dinheiro. Recentemente, a perícia localizou a faca utilizada no crime após o uso de luminol, que revelou vestígios de sangue, e parte dos objetos roubados foi recuperada pela polícia após ser entregue por compradores.

A Polícia Civil também apura se a investigada pode ter cometido outros furtos em residências onde prestou serviços, após relatos de pelo menos duas pessoas que reconheceram a suspeita e denunciaram o desaparecimento de objetos e dinheiro.

Como foi a reconstituição do crime?

A reprodução dos fatos durou cerca de três horas e foi acompanhada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG). De acordo com o advogado de defesa, Bruno Corrêa, a participação da investigada foi marcada por forte abalo emocional, sendo necessário interromper o procedimento em diversos momentos devido ao nervosismo.

A defesa informou que protocolou um pedido para que a Polícia Civil represente pela instauração de um incidente de insanidade mental. O requerimento foi baseado em documentos médicos e relatos de episódios de confusão mental e esquecimento da investigada. Caso o pedido seja acolhido, médicos peritos avaliarão a condição psicológica da suspeita.

Após o encerramento dos trabalhos, a investigada foi levada para prestar depoimento no Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) e, posteriormente, encaminhada ao presídio José Abranches Gonçalves, em Ribeirão das Neves, onde cumpre prisão preventiva. A expectativa é que o inquérito seja concluído pela Polícia Civil nos próximos dias.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.