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Espírito Santo

Ministério Público denuncia dentistas por realizarem cirurgias proibidas e causarem deformidades no ES

Denúncia do Ministério Público aponta que procedimentos eram feitos ao som de música eletrônica e com interrupções para gravação de vídeos.

Por Redação Diário Local

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) denunciou os dentistas Mariana Barros Laranja Roeder e Nathan Laranja Roeder Holz por realizarem cirurgias plásticas invasivas na face e no pescoço de pacientes. A acusação sustenta que os procedimentos são proibidos para a categoria profissional e resultaram em infecções graves, necrose e deformidades permanentes em três vítimas.

As intervenções eram realizadas no Instituto Laranja, localizado em Vila Velha, na Grande Vitória. De acordo com a denúncia, a clínica operava com o alvará sanitário vencido. O Ministério Público solicita que a Justiça condene os profissionais ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 500 mil, destinada a cobrir danos morais e materiais das vítimas.

Relatos de irregularidades em cirurgias

A denúncia detalha condutas consideradas negligentes durante os procedimentos estéticos. Uma das pacientes relatou que, durante a operação realizada sob anestesia local, a dentista interrompia as incisões cirúrgicas para capturar imagens e vídeos para redes sociais, mantendo os cortes abertos na bochecha da vítima enquanto gravava.

Segundo o Ministério Público, o ambiente cirúrgico era descrito como caótico. Em um dos casos, a etapa de sutura (costura dos tecidos) era repassada a Nathan Laranja, que executava o procedimento sem o uso de touca protetora sanitária. Em outra situação, Mariana Laranja teria se ausentado da sala no meio de uma cirurgia, deixando a finalização do procedimento sob responsabilidade de assistentes sem habilitação médica ou profissional para tal.

Sequelas e complicações médicas

As promessas de recuperação rápida e sem riscos, anunciadas nas redes sociais, não se concretizaram para as pacientes citadas. Uma das vítimas, de 60 anos, sofreu infecções com acúmulo de secreção e morte parcial dos tecidos, necessitando de tratamento com cirurgião plástico para evitar que a infecção atingisse áreas próximas ao cérebro.

Outra paciente relatou ter perdido pele no rosto devido à necrose, gerando uma deformidade profunda na bochecha. Já uma terceira vítima teve os pontos da cirurgia rompidos, expondo tecidos internos e gordura facial, o que exigiu 21 sessões de tratamento especializado com enfermagem e acompanhamento médico.

Defesa dos acusados

A dentista Mariana Laranja afirmou que reconhece as acusações e que está respondendo a cada uma delas. A defesa dos investigados declarou que a denúncia apresentada pelo Ministério Público é uma acusação prévia e não uma sentença judicial.

Os advogados ressaltaram ainda que, caso haja uma determinação da Justiça, as medidas solicitadas pela Promotoria serão integralmente cumpridas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.