Desabamento de prédio em construção na Penha deixa cinco mortos e um desaparecido em São Paulo
Construção de 11 andares atingiu casa vizinha na zona leste; Prefeitura investiga falha em fiscalização e afasta servidora.
Por Redação Diário Local
O desabamento de um prédio de 11 andares em construção na Penha, zona leste de São Paulo, deixou cinco mortos e uma pessoa desaparecida após o imóvel atingir uma casa vizinha. O acidente ocorreu por volta das 2h deste sábado (12), na Rua Tequici.
O balanço mais recente aponta que a estrutura atingiu uma residência onde moravam nove pessoas, incluindo uma família que mantinha uma oficina de costura no local. Duas mulheres, uma delas grávida, morreram no início dos trabalhos de resgate. Ao longo do dia e da noite, o Corpo de Bombeiros localizou outros três corpos.
Duas pessoas foram resgatadas com vida: uma criança de 7 anos e um homem de cerca de 30 anos. Ambos foram levados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Municipal do Tatuapé - Dr. Cármino Caricchio. As buscas continuam para encontrar a última pessoa desaparecida sob os escombros.
O que diz a Prefeitura sobre a fiscalização?
A Prefeitura de São Paulo abriu uma apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM) para investigar os procedimentos de fiscalização da obra. Segundo informações preliminares da gestão municipal, a construção era irregular desde 2019 e já havia sido alvo de multas e interdições pela Subprefeitura Penha.
A investigação foca em um laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura Penha em fevereiro de 2024, que atestava o cumprimento da demolição de uma estrutura anterior, condição necessária para o novo alvará concedido em 2023. No entanto, checagens com moradores e imagens de satélite indicaram que a demolição não teria sido realizada.
Em razão disso, a servidora responsável foi afastada de suas funções por 30 dias para evitar interferências nas apurações. De acordo com o controlador-geral do Município, Daniel Falcão, a medida é necessária para o andamento das investigações internas.
Investigação policial e posição da construtora
A Polícia Civil, por meio do 24º Distrito Policial, também investiga o caso e busca localizar os responsáveis pela construtora. O prefeito Ricardo Nunes esteve no local e classificou a obra como irregular, citando o histórico de descumprimento de ordens judiciais de paralisação que vinham desde 2021.
Em nota, a New Home Construtora, responsável pela construção, afirmou ter iniciado uma investigação interna para apurar as causas do desabamento. A empresa declarou que, no momento, não há elementos que permitam atribuir o acidente exclusivamente à sua conduta.
A construtora mencionou ainda que a movimentação de terra em um terreno vizinho também será analisada como um possível fator relacionado ao ocorrido. A empresa afirmou que presta apoio às famílias atingidas e que não se exime de eventual responsabilidade que seja apontada pelas autoridades.
