Descarrilamento de trem no Metrô-DF reacende debate sobre falta de investimentos e sucateamento
Incidente ocorrido nesta terça-feira (28) interrompeu circulação na Asa Sul e reforça alertas de parlamentar sobre sucateamento do sistema.
Por Redação Diário Local
O descarrilamento de uma composição do Metrô-DF, ocorrido na manhã desta terça-feira (28), interrompeu a circulação entre diversas estações da Asa Sul e reacendeu o debate sobre o estado da infraestrutura ferroviária no Distrito Federal. A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) informou que o serviço foi normalizado em todas as estações pouco antes das 14h desta terça-feira (28).
A companhia confirmou que o trem que sofreu o descarrilamento foi recolhido e encaminhado para avaliação das equipes de manutenção. O objetivo é identificar a causa técnica que provocou o incidente. Inicialmente, o Metrô-DF comunicou que a limitação da circulação ocorreu por problemas técnicos, mas posteriormente confirmou o descarrilamento.
Durante o período de interrupção, as estações localizadas entre a Área Central e a 114 Sul permaneceram fechadas. Passageiros que utilizavam as linhas de Ceilândia e Samambaia precisaram desembarcar na Estação Asa Sul, que funcionou como terminal temporário. Para mitigar o impacto, a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) foi acionada para reforçar a oferta de ônibus na região.
Sucateamento e falta de peças
O episódio reforça alertas feitos pela Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa. Para o deputado distrital Max Maciel (PSOL), presidente da comissão, o ocorrido evidencia um processo de sucateamento que vem se agravando ao longo dos anos. Segundo o parlamentar, a comissão já realizava advertências sobre o tema desde 2023.
Em vistoria técnica realizada no pátio de manutenção da companhia, a CTMU apresentou um relatório apontando a deterioração da operação. O documento destaca dificuldades de manutenção e a falta de peças de reposição para a frota. De acordo com a comissão, parte dos componentes utilizados nas composições atuais já não é mais fabricada devido à defasagem tecnológica do sistema.
O levantamento da CTMU detalha que, dos 32 trens que compõem a frota do Metrô-DF, apenas 19 circulam nos horários de pico. Outras 10 composições encontram-se fora de operação. Dentre essas, seis são utilizadas no processo de canibalização, que consiste na retirada de peças de veículos desativados para tentar manter outros trens em funcionamento.
Déficit de investimentos
A comissão também apontou um impacto financeiro na modernização do transporte público. Segundo levantamento da CTMU, o Governo do Distrito Federal deixou de investir cerca de R$ 1 bilhão na renovação da frota e na atualização do sistema metroviário nos últimos anos.
De acordo com a avaliação da comissão, a redução da frota operacional e a necessidade urgente de investimentos impactam diretamente a mobilidade urbana de todo o Distrito Federal. O cenário de deterioração observado na inspeção técnica reforça o risco de novos incidentes semelhantes ao registrado nesta terça-feira (28).
