Dispersão da Cracolândia dificulta atendimento de ONGs e equipes de saúde em São Paulo
Pulverização dos usuários pela região central impede localização de dependentes por equipes de assistência e médicos.
Por Redação Diário Local
A dispersão da Cracolândia, ocorrida em maio de 2025, tem dificultado o trabalho de profissionais de saúde, assistentes sociais e coletivos que atuam na região central de São Paulo. A pulverização dos usuários pelo centro da cidade impede a localização de dependentes, o que trava o andamento de atendimentos e acompanhamentos clínicos.
Profissionais que atuam na área relatam que a mudança no comportamento do chamado “fluxo” — a aglomeração de dependentes — torna difícil o acesso às pessoas. Segundo o pesquisador Marcel Segalla, mestre em ciência da saúde pela Escola de Enfermagem da USP, a dispersão gera incerteza sobre o estado de saúde de usuários acompanhados há longa data, dificultando o controle de doenças como tuberculose e HIV.
O médico psiquiatra Flavio Falcone, que atua na região desde 2010, alerta que o afastamento pode causar estresse e levar ao abandono de tratamentos. Para o especialista, a perda do controle sobre a localização dos usuários eleva o risco de morte e dificulta o acompanhamento médico frequente necessário para quem vive em situação de vulnerabilidade.
O que dizem os órgãos oficiais?
O governo de São Paulo afirmou que as ações que resultaram no fim da antiga cena aberta foram construídas com foco na segurança pública, na saúde e na assistência social. O estado informou que as medidas não interromperam a busca ativa nem o atendimento na região.
De acordo com o governo estadual, houve um investimento de R$ 243,5 milhões na estrutura de proteção social da Política Estadual sobre Drogas no período entre 2023 e 2026.
A Prefeitura de São Paulo declarou que o acolhimento dessa população é um trabalho contínuo, realizado em parceria com o estado, e afirmou ter ampliado a rede de atendimento destinada a esse público.
Atuação da Guarda Civil Municipal
Questionada sobre o movimento de dispersão dos usuários, a Guarda Civil Municipal (GCM) de São Paulo afirmou que realiza policiamento preventivo e ostensivo focado no combate ao tráfico de drogas. A instituição declarou que atua no ordenamento do espaço público em conformidade com a legislação.
A GCM informou ainda que trabalha de forma integrada com órgãos municipais, como as Subprefeituras, a Assistência Social e a Saúde, e presta apoio à Polícia Militar quando necessário. Em casos de ilícitos constatados, os envolvidos são encaminhados à autoridade policial.
