Empresas que prestam serviços a hospitais em Goiás encerram contratos após investigações da PF
Rescisões de contratos com o Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed) ocorrem após apurações sobre vínculos de sócios com o PCC.
Por Redação Diário Local
Empresas que prestavam serviços a hospitais em Goiás por meio do Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed) tiveram contratos rescindidos após investigações apontarem vínculos entre sócios e intermediários do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre as empresas afetadas estão a L2D Telemedicina e a TL2 Soluções em Saúde, que possuem Thiago Telles como sócio, e a Medic 360, investigada pela Polícia Civil do Tocantins.
O empresário Thiago Telles é indiciado por lavagem de dinheiro em ação relacionada ao PCC. A rescisão dos contratos ocorre em meio à Operação “Instituto Amigo”, da Polícia Federal, que investiga o Imed, a L2D e o próprio Telles pela suspeita de cobrança de serviços não realizados durante a pandemia de covid-19.
O diretor da L2D e da TL2, o enfermeiro Luiz Fernando Donke, afirmou que o rompimento dos contratos foi inesperado. Segundo ele, as empresas não haviam sido notificadas sobre indiciamentos que justificassem a medida. A defesa das empresas L2D e TL2 declarou que encaminhou documentos à Polícia Federal para comprovar que os serviços contratados foram efetivamente prestados e mantidos disponíveis.
A Medic 360 informou a funcionários do Hospital de Formosa que deixaria de atuar na unidade, com previsão de saída para o dia 3 de julho (03). Em nota, a empresa alegou que o encerramento da parceria nos hospitais de Goiás ocorreu por uma "avaliação interna e mercadológica". A companhia é investigada após um repasse de R$ 394 mil, em 16 de outubro de 2024, para uma firma apontada pela Polícia Civil de São Paulo como intermediária de lavagem de dinheiro do PCC.
Em relação à substituição das empresas, o Imed não prestou esclarecimentos sobre quais novas companhias foram contratadas para assumir os serviços. Entre as novas contratadas, consta uma médica que é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de fraude em disputa na área da saúde envolvendo familiares de um ex-secretário de Saúde de Goiás.
A Secretaria de Saúde de Goiás afirmou que o estado mantém o monitoramento contínuo de todos os contratos de gestão em vigor. O órgão destacou que, desde 2023, a fiscalização foi ampliada com a criação de uma subsecretaria de controle interno e compliance, além da atuação direta de um delegado da Polícia Civil para apurar suspeitas envolvendo recursos públicos.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou que autoridades investigativas e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) deveriam ter alertado o estado sobre o envolvimento de pessoas com possíveis vínculos com o PCC. A defesa de Thiago Telles negou qualquer vínculo com a organização criminosa e afirmou que seu cliente comprou carros de luxo de forma lícita.
A Operação “Instituto Amigo” segue em andamento na Justiça Federal de Goiás. A Polícia Civil de São Paulo já havia indiciado o empresário Thiago Telles por lavagem de dinheiro após a deflagração da Operação “Falso Mercúrio”.
