Enem deve mudar formato de redação e organização de questões a partir de 2028
Inep discute substituir redação única por textos de gêneros variados e ampliar o uso de blocos de questões para reduzir o desgaste do exame
Por Redação Diário Local
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deve passar por uma reformulação a partir de 2028, com mudanças na organização das questões, nas matrizes de referência e no modelo de redação. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) estuda adaptar o exame à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Política Nacional do Ensino Médio.
As propostas foram debatidas nesta quarta-feira (17), em Brasília, durante uma reunião entre o Inep e educadores. A reorganização completa das áreas do conhecimento deve ser implementada de forma gradual até 2032.
Como deve funcionar a nova redação?
Atualmente, o candidato produz um único texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas. A proposta em discussão contempla a distribuição de diferentes tarefas de escrita ao longo da prova, com textos de tamanhos e gêneros variados.
Entre as possibilidades apresentadas está a criação de textos de 20, 10 e 5 linhas, distribuídos pelas áreas de Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática. O objetivo é exigir que o estudante adapte a argumentação ao gênero solicitado, como cartas de reclamação, artigos de opinião, editoriais, manifestos, discursos públicos e resenhas críticas.
O que muda na organização das questões?
Para tornar a prova menos desgastante, o Inep discute ampliar o uso de 'testlets'. Trata-se de blocos de questões que compartilham um mesmo texto-base, permitindo que um único contexto sirva para responder a mais de uma pergunta, reduzindo a necessidade de sucessivas leituras.
Essa metodologia de blocos de questões já foi utilizada pelo órgão no Enem de 2025. A intenção é ampliar as condições de interpretação de texto dos candidatos.
Quais áreas terão novas competências?
A reformulação também prevê a adequação de Matemática e Ciências da Natureza. Nestas áreas, poderão ser incluídas competências transversais relacionadas a conhecimentos de matrizes africanas e indígenas, atendendo à obrigatoriedade de ensino desses temas na educação básica.
Na Matemática, os estudantes poderão analisar saberes matemáticos em matrizes indígenas ou africanas. Nas Ciências da Natureza, o foco pode ser a contribuição desses saberes na construção do conhecimento científico e tecnológico.
O Inep ressaltou que ainda não há uma definição final sobre o formato e que os pontos específicos de implementação serão consolidados até o fim deste ano.
