Justiça aceita denúncia contra veterinários por venda de sangue de gatos em Monte Alto
Justiça aceitou denúncia contra Thaís Daniele Antonussi e Renato Franco por maus-tratos a animais e associação criminosa em SP
Por Redação Diário Local
A Justiça recebeu, na última quinta-feira (10), a denúncia do Ministério Público contra os médicos-veterinários Thaís Daniele Antonussi, de 34 anos, e Renato Franco, de 35. Eles são acusados de participação em associação criminosa e de praticar maus-tratos contra animais em Monte Alto, no interior de São Paulo.
Segundo a acusação, os dois veterinários fariam parte de um núcleo voltado ao comando técnico, financiamento e comercialização da venda clandestina de sangue de gatos. A denúncia sustenta que eles atuaram como mandantes e coautores dos maus-tratos atribuídos a seis felinos.
A investigação detalhou que os animais eram sedados com substâncias para a extração do sangue. Cada bolsa, contendo cerca de 50 ml de material, era revendida por valores que variavam entre R$ 500 e R$ 800.
Como funcionava o esquema
De acordo com o Ministério Público, o grupo operava com uma divisão de funções. Enquanto alguns membros eram responsáveis por encontrar tutores e animais, outros cuidavam do transporte, das coletas e da venda das bolsas de sangue.
O esquema foi descoberto após uma pessoa identificar anúncios em redes sociais que ofereciam R$ 50 para que tutores disponibilizassem gatos para a coleta. Ao simular interesse, a pessoa acionou a Guarda Municipal e a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Monte Alto.
Durante a abordagem em uma residência, os agentes encontraram gatos desacordados, recipientes com sangue e materiais para procedimentos veterinários. Na ocasião, três pessoas foram presas em flagrante.
Defesa dos acusados
A defesa de Renato Franco negou as acusações em nota. Segundo a advogada Naiara Croffi, o veterinário nega veementemente os fatos e sustenta que sempre atuou conforme as normas do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-SP).
No relatório da Polícia Civil, houve uma ressalva de que as evidências contra Renato seriam "mais tênues que as dos demais", embora tenham sido consideradas suficientes para o indiciamento. O Ministério Público, por sua vez, aponta que ele participava da coordenação e destinação do material.
Quanto a Thaís Daniele Antonussi, a denúncia afirma que ela seria a "titular de fato" de um banco de sangue animal. A empresa HemoAcademy, que possui vínculos com a profissional, afirmou que ela é inocente e classificou o processo como uma "tremenda injustiça".
Regras para bancos de sangue animal
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) informou que não existe uma regulamentação específica no Brasil para bancos de sangue de animais. O Conselho Federal de Medicina Veterinária mantém um grupo de trabalho para elaborar novas resoluções sobre o tema.
Para realizar coletas de sangue, estabelecimentos precisam ter registro no sistema do Conselho e contar com um médico-veterinário responsável técnico. O conselho não detalhou se é permitido o pagamento de tutores ou a obtenção de lucro com esse serviço específico.
