Ex-diretor da Voepass indiciado pela PF abre empresa aérea em Ribeirão Preto
Um dos 16 indiciados pela Polícia Federal no caso da queda do voo 2283 tornou-se sócio de companhia de serviços aeronáuticos.
Por Redação Diário Local
Um dos 16 profissionais indiciados pela Polícia Federal pelo desastre aéreo que causou a morte de 62 pessoas em Vinhedo (SP) abriu uma empresa de serviços aeronáuticos em Ribeirão Preto (SP). Eric Cônsoli, ex-diretor de manutenção da Voepass, é um dos sócios da companhia, que foi registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) em julho de 2025.
A nova empresa oferece atividades auxiliares para transportes aéreos executivos, como abastecimento, estacionamento, manutenção e seguro aeronáutico, além de importação de peças. A companhia não opera voos.
Questionada sobre o caso, a Polícia Federal esclareceu que as investigações sobre o acidente com o voo 2283 são restritas ao sinistro ocorrido em agosto de 2024.
Atuação de outros profissionais no setor
Além de Cônsoli, outros indivíduos ligados à antiga operação da Voepass permanecem no setor de aviação. O engenheiro mecânico aeronáutico Tiago Passucci Morani, que atuava como inspetor-chefe da companhia, trabalha hoje como gerente de planejamento e aeronavegabilidade em uma empresa de serviços para outras companhias aéreas.
O despachante operacional de voo Oderlino de Campos Figueiredo, que atuou na Voepass até abril de 2025, exerce atualmente a mesma função em uma empresa de transporte de cargas com sede em Campinas (SP).
De acordo com o chefe da Polícia Federal em Campinas (SP), André Ribeiro, os indiciados não são considerados foragidos e estão cumprindo medidas cautelares. Por determinação judicial, eles estão impedidos de deixar o território nacional, com os nomes inseridos nos sistemas de controle de imigração.
Investigação e próximos passos
O acidente com o voo 2283 ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando uma aeronave ATR 72-500 caiu em um condomínio em Vinhedo (SP). As investigações da Polícia Federal e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluíram que a queda foi resultado de falhas técnicas, fatores meteorológicos e conduta operacional insuficiente.
A Polícia Federal identificou uma cultura de omissão de falhas críticas, especialmente no sistema de degelo, para evitar que aeronaves ficassem retidas em solo. Os 16 indiciados respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo.
Com o encerramento do relatório final, o caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá sobre o oferecimento de denúncia. A Polícia Federal também solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a suspensão das identificações profissionais dos envolvidos e pediu que o MPF apure possíveis falhas de atuação de inspetores da própria agência reguladora.
