Pacientes do DF enfrentam espera de até nove anos por consultas de oftalmologia no SUS
Dados do Ministério Público mostram que 60 mil solicitações de exames e consultas estão travadas na rede pública da capital
Por Diário Local
Pacientes do Distrito Federal enfrentam uma espera de até nove anos para conseguir atendimento na especialidade de oftalmologia pela rede pública. Segundo dados do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o tempo médio de espera atual é de 853 dias, o que expõe falhas na regulação da saúde na capital.
O painel Fila SUS, divulgado pelo MPDFT, aponta que 60 mil solicitações de exames e consultas estão travadas. O levantamento mostra que há pacientes aguardando desde 2017, acumulando 3.272 dias de espera. Além disso, mais de 1,7 mil pessoas fizeram pedidos entre 2018 e 2019 e ainda não receberam previsão de atendimento.
A população idosa é a mais afetada pela demora. Metade dos casos registrados de espera concentra pessoas na faixa etária entre 60 e 95 anos. De acordo com os dados, o acúmulo de solicitações sem resposta aumentou significativamente a partir de 2023.
Quais são os riscos da demora no atendimento?
A demora no diagnóstico e tratamento de doenças oculares pode resultar em danos irreversíveis. O médico Anderson Teixeira, professor de Medicina da Universidade Católica de Brasília (UCB), alerta que condições como glaucoma, catarata, estrabismo e degeneração macular precisam de intervenção precoce para preservar a visão.
Segundo o médico, quanto maior o tempo de espera, maior o risco de deficiência visual permanente e cegueira. Ele explica que o envelhecimento aumenta a chance de desenvolver complicações oculares, como as relacionadas à diabetes mellitus (açúcar elevado no sangue).
O gráfico de solicitações por idade revela um pico de demanda entre pessoas de 60 e 70 anos, período em que doenças como a catarata tendem a aparecer com mais frequência.
Prioridades e judicialização
O sistema de saúde possui 4.048 pacientes classificados na chamada "prioridade 1", que engloba casos urgentes com risco iminente de perda de visão. Pela lógica médica, esses casos deveriam ser atendidos em poucas semanas, mas acabam diluídos na média de espera de quase dois anos.
Já a "prioridade 2", que envolve pacientes que necessitam de avaliação especializada em um prazo de 15 a 30 dias, lidera a espera por regulação, com mais de 28 mil casos registrados.
Diante da falta de atendimento, pacientes podem recorrer à Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) ou ao Ministério Público para buscar liminares judiciais. Atualmente, 1,4 mil pessoas já ingressaram na Justiça para tentar garantir consultas ou exames oftalmológicos.
Como marcar consulta pelo SUS no DF
Para buscar atendimento oftalmológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal, o paciente deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. O agendamento não é direto; é necessário um encaminhamento de um médico de família ou clínico geral da própria UBS.
Após a avaliação na unidade básica, o pedido é inserido no Complexo Regulador de Saúde, que organiza a fila conforme a prioridade clínica. A Secretaria de Saúde (SES-DF) deve entrar em contato por telefone ou WhatsApp para informar a data e o local da consulta.
