Baleias-jubarte utilizam o litoral do Rio como rota migratória em viagem de 9 mil quilômetros
Espécie percorre até 9 mil quilômetros da Antártida até a Bahia para reprodução, utilizando a costa fluminense como corredor natural.
Por Diário Local
As baleias-jubarte utilizam o litoral do Rio de Janeiro como um corredor natural durante uma de suas migrações mais extensas, percorrendo até 9 mil quilômetros entre a Antártida e o sul da Bahia. A presença dos animais na costa fluminense ocorre com a chegada do inverno, quando a espécie deixa as águas geladas do polo sul em busca de águas tropicais.
Embora o litoral fluminense não seja o destino final, ele funciona como uma rota estratégica para os animais. O trajeto permite que as jubartes transitem pela região sem interromper o deslocamento necessário para o acasalamento e o nascimento dos filhotes.
O destino principal da migração é o Arquipélago de Abrolhos, localizado no sul da Bahia. Lá, as baleias encontram condições ideais para a reprodução e os primeiros meses de vida dos filhotes antes de iniciarem a viagem de retorno.
Os gigantes do mar podem atingir até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas. A observação desses animais no mar depende de uma combinação de sorte e experiência de quem navega pela região.
A identificação dos animais pode ocorrer por meio do jato de água expelido durante a respiração ou pelo surgimento das nadadeiras na superfície. Em alguns momentos, é possível observar os saltos completos dos animais para fora da água.
Por que as baleias migram para o Brasil?
Diferente do que muitos pensam, a migração das jubartes não tem como objetivo a busca por alimento. Durante este período, o foco principal da espécie é o deslocamento para regiões de águas mais quentes para garantir a reprodução.
O litoral brasileiro oferece o ambiente térmico necessário para que os filhotes nasçam com segurança. Após passarem os primeiros meses de vida nessas águas tropicais, os animais iniciam o processo de volta para as águas da Antártida.
A posição do Rio de Janeiro na rota permite que moradores e turistas acompanhem a passagem dos animais. O estado ocupa uma posição privilegiada para a observação sem interferir no ciclo migratório da espécie.
Como a espécie se recuperou?
O aumento frequente de avistamentos reflete a recuperação da população de baleias-jubarte nas últimas décadas. Durante o século XX, a prática da caça comercial levou os animais à beira da extinção.
A proibição da caça no Brasil, adotada na década de 1980, foi fundamental para reverter esse cenário. Graças às medidas de conservação, estima-se que mais de 30 mil baleias-jubarte cruzem o litoral brasileiro todos os anos.
Para especialistas, a espécie é um exemplo de resiliência da vida marinha. Caio Salles, embaixador do Hope Spot das Ilhas Cagarras, afirma que o fim da matança permitiu que a população se recuperasse naturalmente.
Como elas encontram o caminho?
Apesar dos avanços científicos, ainda existe um mistério sobre como as baleias encontram o mesmo trajeto ano após ano. O mecanismo exato que orienta essa navegação de milhares de quilômetros ainda não foi comprovado.
Cientistas trabalham com diferentes hipóteses para explicar o fenômeno, como a influência das correntes marítimas ou o uso do campo magnético da Terra. Outra possibilidade levantada é a orientação pela posição dos astros.
Mesmo sem respostas definitivas, a passagem das jubartes continua sendo um evento marcante para pesquisadores e observadores. Segundo a pesquisadora de cetáceos Liliane Lodi, cada encontro com os animais é uma experiência única e especial.
