Polícia Civil desarticula grupo que usava nome do PCC para aplicar golpe da falsa acompanhante
Investigados criavam perfis falsos de acompanhantes na internet e faziam vítimas pagarem valores para evitar ameaças atribuídas ao PCC.
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta quinta-feira (30), a Operação Falsa Acompanhante para desarticular um grupo suspeito de aplicar golpes de extorsão por meio de perfis falsos de garotas de programa na internet. Os investigados utilizavam anúncios em sites especializados para atrair vítimas e, em seguida, realizavam ameaças em nome de uma facção criminosa para exigir pagamentos.
As investigações são coordenadas pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), unidade pertencente ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor). O objetivo do grupo era extorquir dinheiro de homens que entravam em contato com os perfis fraudulentos.
De acordo com as apurações da PCDF, a dinâmica do crime começava com a divulgação de anúncios de acompanhantes em plataformas digitais. Após o contato inicial das vítimas pelos números de telefone fornecidos nos anúncios, o cenário de extorsão era montado.
Os criminosos passavam a enviar mensagens de pessoas que alegavam integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo afirmava que a vítima teria causado prejuízos às supostas acompanhantes e utilizava o medo para coagir os envolvidos.
Para evitar represálias atribuídas à facção, os golpistas exigiam transferências bancárias imediatas. A polícia informou que, diante da gravidade das ameaças, muitas vítimas acabavam cedendo à pressão psicológica e efetuavam os pagamentos solicitados.
A partir do rastreamento de vestígios digitais e do monitoramento da movimentação financeira dos envolvidos, a Polícia Civil conseguiu identificar os suspeitos. Trata-se de dois homens, com idades de 27 e 29 anos, residentes no litoral do Rio Grande do Sul.
Os moradores das cidades de Tramandaí e Imbé foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira (30). Os policiais atuaram em ambas as localidades para coletar provas que possam ampliar a investigação.
A Polícia Civil chegou a solicitar a prisão cautelar dos dois indivíduos, mas o pedido foi negado pela Justiça até o momento. Apesar disso, as medidas de busca visam consolidar as evidências contra os suspeitos.
Os investigados foram indiciados pelo crime de extorsão. Caso sejam condenados, a pena prevista para essa prática pode chegar a 10 anos de prisão.
A operação busca compreender a extensão do alcance dos perfis falsos e a dimensão financeira do prejuízo causado às vítimas. Os detalhes sobre o montante total extorquido ainda são apurados pelas autoridades competentes.
O trabalho da DRCC foca agora na análise do material apreendido durante as buscas realizadas no Rio Grande do Sul. Os dados coletados devem ajudar a conectar os suspeitos a outros casos semelhantes registrados em diferentes regiões.
A polícia ressalta que a investigação permanece em curso para identificar se há outros integrantes atuando no grupo criminoso. A estrutura do golpe sugere uma organização que poderia possuir mais colaboradores no ambiente digital.
A PCDF mantém o monitoramento dos perfis que apresentam características similares às utilizadas no esquema de extorsão. O objetivo é antecipar novas tentativas de fraude e identificar possíveis novos alvos do grupo.
As autoridades reforçam a importância de que pessoas que tenham sido vítimas desse tipo de abordagem procurem as delegacias para registrar a ocorrência. O registro ajuda no mapeamento da criminalidade cibernética e na identificação de novos padrões de golpe.
