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Meio Ambiente

Ibama alerta para riscos ambientais de mineração de terras raras no Sul de Minas e pede análise conjunta

Órgão técnico recomenda avaliação integrada de projetos em Caldas e Poços de Caldas para evitar impactos em recursos hídricos e biodiversidade.

Por Redação Diário Local

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu um parecer técnico alertando sobre os possíveis riscos ambientais de projetos de mineração de terras raras no Sul de Minas Gerais. O órgão recomendou que os impactos de todos os empreendimentos da região sejam analisados de forma conjunta, em vez de avaliações isoladas, para evitar efeitos cumulativos nos ecossistemas locais.

Atualmente, dois projetos estão em fase de licenciamento na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam): o projeto Caldeira, da mineradora Meteoric, em Caldas (MG), e o projeto Colossus, da empresa Viridis, em Poços de Caldas (MG). O documento emitido pelo Ibama em julho ressalta que a proximidade entre as atividades pode gerar efeitos sinérgicos, nos quais os impactos de diferentes minas se somam ou interagem entre si.

Embora não haja sobreposição física entre as novas áreas de mineração e a unidade de descomissionamento da INB — antiga mina de urânio que possui um passivo nuclear de toneladas de material radioativo em Caldas —, o Ibama aponta que a vizinhança exige cautela. O órgão destaca a necessidade de considerar o impacto sobre os recursos hídricos, a biodiversidade e a segurança do antigo passivo ambiental.

Quais são os riscos apontados pelo Ibama?

O parecer técnico lista riscos específicos, como o possível rebaixamento do lençol freático causado por escavações profundas, o que pode alterar o caminho de águas subterrâneas já contaminadas pela antiga exploração de urânio. Além disso, o órgão alerta para o risco de uma "armadilha ecológica", em que o desmatamento para as novas minas poderia deslocar a fauna silvestre para áreas de contaminação da antiga unidade.

Outro ponto de preocupação é o risco climático. De acordo com o Ibama, chuvas extremas podem inundar as novas cavas de mineração, provocando o transbordamento de águas ácidas para os rios da região. O órgão aponta ainda que existem lacunas de informação que precisam ser preenchidas por estudos mais amplos sobre a atividade.

A partir das conclusões do Ibama, a Aliança em Prol da APA da Pedra Branca de Caldas protocolou ofícios no Ministério Público Federal e na Feam. A entidade solicita a suspensão imediata das licenças das empresas Viridis e Meteoric até que uma análise integrada seja realizada com o apoio de uma perícia independente, abrangendo riscos geoquímicos e radiológicos.

O que dizem as empresas e órgãos envolvidos

A Viridis informou, em nota, que não teve acesso ao documento do Ibama e, por isso, não pôde se manifestar sobre o teor específico. No entanto, a empresa garantiu que o licenciamento do projeto Colossus segue as normas vigentes e foi fundamentado em estudos técnicos aprovados pela Feam, que resultaram na concessão da licença prévia.

A Meteoric afirmou que o licenciamento do projeto Caldeira cumpre a legislação ambiental e que os estudos socioambientais, iniciados em 2023, utilizam equipes multidisciplinares para prever impactos e definir medidas de mitigação. A mineradora recebeu a licença prévia em dezembro de 2025 e protocolou, em março de 2026, a documentação para a licença de instalação.

A INB declarou que acompanha os processos de licenciamento conduzidos pelos órgãos competentes e que colabora com as autoridades sempre que demandada, disponibilizando informações para as análises. A Feam foi procurada para comentar o parecer técnico do Ibama, mas não enviou resposta até a publicação desta matéria.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.