Idosa é resgatada em situação de trabalho análogo à escravidão após 52 anos em Nova Iguaçu
Mulher de 69 anos trabalhou sem salário regular e sem folgas por cinco décadas em uma residência na Baixada Fluminense
Por Davy Albuquerque
Uma idosa de 69 anos foi resgatada em situação análoga à escravidão em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na segunda-feira (15). A mulher trabalhou por 52 anos na mesma residência, sem registro em carteira, sem folgas e sem o recebimento de salário regular.
A operação de fiscalização foi realizada por auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e por procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT). Durante a diligência, os agentes constataram características de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições degradantes.
No momento do resgate, a trabalhadora exercia a função de cuidadora de uma empregadora idosa e acamada, que exige cuidados permanentes de saúde. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, a mulher possui apenas o ensino primário completo.
Os empregadores alegaram que a idosa era considerada "como parte da família". No entanto, a vítima relatou aos agentes que não visitava seus próprios familiares há cinco anos.
O auditor-fiscal do Trabalho e coordenador da operação, Raul Vital, explicou que, durante mais de cinco décadas, não houve qualquer registro formal ou pagamento sistemático de salário. O caso foi classificado como uma forma de exploração que se estendeu por mais de meio século.
A procuradora do Trabalho, Tathiane Menezes do Nascimento, pontuou que situações como esta reforçam a importância de denúncias e da atuação conjunta entre os órgãos públicos. Ela destacou que a exploração costuma permanecer invisibilizada por longos períodos, especialmente no âmbito do trabalho doméstico.
Após o resgate, a idosa foi levada por familiares para fora do estado do Rio de Janeiro. Para regularizar a situação, foi firmado um acordo que contempla o pagamento de verbas rescisórias e indenizações, além do recolhimento de outros benefícios previstos em lei.
O montante total do acordo para o pagamento das verbas e indenizações foi estimado em mais de R$ 600 mil.
