Importunação sexual cresce 197% no Rio de Janeiro em cinco anos, aponta levantamento
Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que mulheres foram responsáveis por 91% das vítimas de importunação no estado
Por Redação Diário Local
Os casos de importunação sexual no Rio de Janeiro registraram um aumento de 197% entre os anos de 2020 e 2025, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). O levantamento indica que as mulheres foram responsáveis por 91% do total de vítimas no período.
Somente no ano passado, foram registrados 2.723 casos de importunação sexual contra mulheres — o que representa uma média de 8,2 ocorrências por dia. O número de registros envolvendo mulheres saltou de 992, em 2020, para 2.723, em 2025, um crescimento de 175% nesse recorte específico.
De acordo com o painel de grupos vulneráveis do ISP, a maior parte das vítimas no ano passado estava concentrada em duas faixas etárias: entre 12 e 17 anos, e entre 18 e 29 anos.
O que são casos de importunação digital?
Além das agressões presenciais, o aumento também é observado em crimes ocorridos no ambiente digital. Um dos casos relatados envolve a tatuadora e criadora de conteúdo Taís Thorpe, que denunciou ter sido vítima de atos obscenos durante uma transmissão ao vivo na plataforma TikTok.
Segundo o relato, o homem teria realizado gestos obscenos e se masturbado diante da câmera. Taís prestou depoimento na 9ª DP (Catete) na última sexta-feira (24).
Outras ocorrências de natureza digital também foram registradas. Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) investiga um caso em que uma mulher denunciou um conhecido por realizar atos de masturbação por meio de chamadas de vídeo.
Em outro episódio, uma atendente de empresa relatou ter sofrido importunação por parte de um cliente durante um atendimento por vídeo. O inquérito sobre o caso foi concluído e enviado à Justiça fluminense.
Importunação no transporte público
O transporte coletivo também é cenário de ocorrências. A 43ª DP (Guaratiba) concluiu e enviou à Justiça um inquérito sobre um caso ocorrido no ano passado, dentro do BRT Curral Falso, na estação Magarça, no qual um homem teria praticado ato de cunho sexual contra uma passageira.
