Pesquisadora da UFSC recorre a vaquinha para pagar visto e sofre ataques nas redes sociais
Talita Beneli precisou de ajuda para custear visto de doutorado na Austrália após gastos não cobertos pela Capes.
Por Redação Diário Local
A pesquisadora Talita Beneli, doutoranda em ecologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), recorreu a uma vaquinha online para custear as taxas de emissão de um visto para realizar pesquisa na Austrália e acabou sendo alvo de ofensas nas redes sociais.
O pedido de ajuda financeira surgiu após a universidade estrangeira exigir que o visto de atividade temporária (subclass 408) fosse emitido por meio de uma agência particular parceira. O custo de R$ 8 mil para o procedimento não é coberto pelas verbas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), agência responsável pela bolsa do programa de doutorado sanduíche.
A situação ganhou repercussão negativa após a pesquisadora compartilhar o link da campanha com uma influenciadora digital. Em um vídeo, a criadora de conteúdo criticou pedidos de ajuda para "financiar sonhos", o que desencadeou uma onda de comentários ofensivos contra a pesquisadora, que chegou a ser chamada de "preguiçosa" por internautas.
Talita relatou que as críticas ocorreram sem que as pessoas soubessem o motivo do pedido. Segundo a pesquisadora, o episódio expôs a dificuldade de quem faz ciência no país e a realidade de pesquisadores que precisam se expor para viabilizar estudos acadêmicos.
Por que o custo do visto não foi coberto?
A vaga de Talita foi obtida via Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), da Capes. O edital do programa prevê o pagamento de mensalidade, auxílio deslocamento, auxílio instalação e seguro-saúde, mas estabelece que taxas administrativas, acadêmicas e despesas adicionais não fazem parte da cobertura.
Segundo a pesquisadora, os valores dos auxílios estão defasados em relação à realidade atual. Ela explicou que, embora tenha planejado os custos, despesas extras como a exigência da agência particular comprometeram o orçamento. O orientador da estudante chegou a solicitar uma exceção à universidade estrangeira, mas o pedido foi negado.
Atualmente, Talita recebe uma remuneração de R$ 3,5 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) para atuar como pesquisadora exclusiva. A meta da vaquinha foi atingida após o apoio de outros pesquisadores na internet, permitindo o pagamento do visto.
O que a pesquisa estuda?
O objetivo do estudo é investigar o comportamento de peixes em recifes para entender o impacto das mudanças climáticas no ecossistema marinho. A pesquisa busca identificar como a perda de espécies específicas pode desequilibrar funções ecológicas essenciais, como o controle do crescimento de algas.
O trabalho de Talita pretende analisar como diferentes espécies ocupam papéis distintos no ecossistema. A ideia é entender o risco de perda de biodiversidade em regiões da Austrália, comparando os dados com os levantados pelo grupo de pesquisa na UFSC.
