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Segurança

Justiça decide que 12 policiais militares irão a júri popular por mortes em Paraisópolis

Decisão da 1ª Vara do Júri determina que policiais militares respondam pelo massacre ocorrido durante baile funk na Zona Sul de SP

Por Redação Diário Local

A Justiça de São Paulo decidiu que 12 policiais militares acusados pelas mortes de nove jovens durante uma ação policial em Paraisópolis, na Zona Sul da capital, serão julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão foi assinada na segunda-feira (17) pela juíza Ana Luisa Marcondes Esteves, da 1ª Vara do Júri do Foro Central Criminal.

O episódio, conhecido como o massacre de Paraisópolis, ocorreu durante uma ação da Polícia Militar em um baile funk. De acordo com as investigações, os jovens foram encurralados durante a operação e morreram após um tumulto no local.

Entre as vítimas, oito morreram por asfixia mecânica decorrente de sufocação indireta, enquanto um jovem, Mateus dos Santos Costa, faleceu em razão de um traumatismo raquimedular. Nenhum dos nove mortos era morador da comunidade de Paraisópolis.

A decisão foi recebida com um misto de alívio e preocupação pelos familiares. Maria Cristina Quirino Portugal, mãe de Denys Henrique Quirino Silva — uma das vítimas —, afirmou que a sentença é uma conquista após quase sete anos de espera, mas demonstrou temor diante do histórico de absolvições em casos envolvendo agentes de segurança.

Cristina, que atua no movimento "Os 9 que Perdemos", citou como exemplo o caso do adolescente Guilherme Silva Guedes, morto em junho de 2020, cujos acusados foram absolvidos em julgamento recente. Ela manifestou receio de que a defesa dos policiais utilize a criminalização das vítimas para evitar condenações.

Vagner dos Santos Oliveira, tio de Luara Victória Oliveira — única mulher entre os mortos —, questionou o alcance da decisão. Para ele, o julgamento de apenas 12 soldados não encerra a discussão sobre a responsabilidade pelo ocorrido.

Segundo o familiar, a responsabilidade deveria incluir também o comandante da operação, o então secretário de Segurança Pública e o governador da época. Vagner defende que o Estado é o responsável direto pelo que aconteceu com o grupo de jovens.

Quem eram as vítimas

As nove vítimas do massacre de Paraisópolis são: Bruno Gabriel dos Santos, Denys Henrique Quirino Silva, Dennys Guilherme dos Santos França, Eduardo da Silva, Gabriel Rogério de Moraes, Gustavo Cruz Xavier, Luara Victória Oliveira, Marcos Paulo Oliveira dos Santos e Mateus dos Santos Costa.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.