Loja de capinhas de celular movimentou R$ 50 milhões do tráfico em 2 anos, diz Ministério Público do Rio de Janeiro
Investigação aponta que empresa de acessórios para celular movimentou valores do tráfico em dois anos e faz parte de esquema que lavou R$ 100 milhões.
Por Davy Albuquerque
Uma loja de acessórios para celular movimentou quase R$ 50 milhões em dois anos com recursos vindos de atividades criminosas do Terceiro Comando Puro (TCP), segundo investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
A investigação, que faz parte da Operação Hawala, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo MPRJ, identificou que a empresa Babe Shopee Cell, registrada em São Paulo, possuía um capital social declarado de R$ 50 mil, mas operava com volumes financeiros incompatíveis.
A proprietária da loja, Bárbara Luzia Souza de Carvalho, foi presa nesta quarta-feira (15). A operação também resultou na captura de outras nove pessoas, incluindo os irmãos Reda, Yasser e Kassem Zayoun, que são apontados como responsáveis pela expansão da rede financeira para outros estados e para o exterior.
Como funcionava o esquema de lavagem
De acordo com a força-tarefa, o esquema de lavagem de dinheiro do qual os investigados faziam parte movimentou R$ 100 milhões ao longo de três anos. O grupo utilizava empresas de fachada para ocultar recursos de diversas facções, incluindo o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As empresas envolvidas vendiam produtos falsificados e eletrônicos roubados para escoar o dinheiro do crime. Para burlar os mecanismos de controle financeiro, o grupo utilizava o método conhecido como smurfing, que consiste na realização de depósitos fracionados em espécie.
A investigação teve início na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), após a descoberta de uma rede de vendas de itens falsificados vinculada à cúpula do TCP no Complexo do São Carlos. A partir do rastreamento, a polícia identificou dezenas de empresas distribuídas em diferentes estados.
Investigação e próximos passos
Além das prisões, os agentes cumpriram 37 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e em Foz do Iguaçu, no Paraná. A 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de ativos financeiros e a indisponibilidade de bens dos envolvidos.
O Ministério Público denunciou 22 pessoas no total. O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira aceitou a denúncia e tornou todos os acusados réus. O caso também levanta suspeitas sobre uma relação comercial entre uma das empresas do grupo e um egípcio investigado pelos Estados Unidos por possíveis ligações com o grupo terrorista Al-Qaeda, embora o vínculo ainda esteja sob análise das autoridades.
