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Meio Ambiente

Espírito Santo abriga um dos maiores manguezais urbanos da América Latina

Ecossistema de 11 km² na Baía de Vitória é fundamental para a biodiversidade e para a renda de comunidades tradicionais

Por Redação Diário Local

O Espírito Santo abriga um dos maiores manguezais urbanos da América Latina. Localizado na Baía de Vitória, o ecossistema possui cerca de 11 km² e desempenha um papel central na economia, na história e na cultura do estado.

Os manguezais funcionam como áreas de transição entre os ambientes terrestre e marinho, formadas em estuários onde rios encontram o oceano. A vegetação conta com raízes adaptadas à salinidade e ao alagamento, servindo como um berçário natural para diversas espécies, como peixes, aves, moluscos e crustáceos.

No estado, existem 17 áreas de manguezal distribuídas em 13 municípios, que somam aproximadamente 114 km² (11.400 hectares). Entre os locais identificados estão os manguezais dos rios Itaúnas, São Mateus, Mariricu, Piraquê-Açu, Reis Magos, Jacaraípe, Santa Maria da Vitória, Jucu, Benevente, Iconha, Itapemirim e Itabapoana.

Para monitorar esses ecossistemas, o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) iniciou, em 2017, um projeto de identificação e mapeamento. O trabalho utiliza a análise de imagens aéreas de 2007 e 2014 para verificar as mudanças ocorridas no território ao longo dos anos.

Apesar da relevância, o ambiente sofre com a poluição e a ocupação humana. Segundo o biólogo Iberê Sassi, presidente do Instituto Goiamum, a poluição hídrica é o maior desafio, especialmente na Grande Vitória, onde o descarte inadequado de lixo e a expansão urbana desordenada impactam os rios e a baía.

Impacto na economia e na gastronomia

O ecossistema é vital para comunidades tradicionais de pescadores e marisqueiros. A coleta de caranguejos, siris, sururus e ostras representa uma fonte direta de sobrevivência, transformando o que antes era subsistência em comercialização e geração de renda para as famílias.

A influência do manguezal se estende à gastronomia capixaba, com ingredientes como o siri e o sururu integrando pratos tradicionais, como a moqueca e a torta capixaba. Existe ainda o aproveitamento de resíduos, como no Projeto Sururu, que transforma cascas em corretivo agrícola.

O artesanato local também depende do ambiente. A casca do mangue-vermelho fornece o tanino utilizado no tingimento das tradicionais panelas de barro, conferindo a coloração escura e a resistência características que integram o patrimônio cultural brasileiro.

Ecoturismo e educação ambiental

O setor de serviços também encontra oportunidades no ecoturismo, que gera renda para empreendedores da Grande Vitória. O contato com a biodiversidade busca promover o conhecimento sobre a importância da preservação desses espaços naturais.

Para o servidor do Iema, Roberto Vervloet, a educação ambiental é fundamental para garantir a conservação. O objetivo é que o processo de conscientização ocorra entre as gerações, envolvendo adultos, crianças e adolescentes para proteger o ambiente que sustenta a cultura e a economia local.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.