Lideranças Maxakali denunciam fome, falta de água e suicídios em aldeias de Minas Gerais
Representantes do sistema de Justiça visitam comunidades no Vale do Mucuri para ouvir relatos de desnutrição e precariedade sanitária.
Por Redação Diário Local
Lideranças do povo Maxakali denunciaram, durante visita de representantes do sistema de Justiça ao Vale do Mucuri, em Minas Gerais, uma crise humanitária marcada por fome, desnutrição infantil, falta de água tratada e dificuldades de acesso à saúde. Os relatos foram apresentados no último dia 15 de julho (15) durante encontro com o Comitê Juspovos, que reúne instituições como o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Durante a mobilização, os indígenas relataram que a ausência de transporte e a demora no atendimento de emergências agravam o quadro de vulnerabilidade. Segundo os relatos, a falta de água potável e a ausência de coleta de lixo nas aldeias também contribuem para a propagação de doenças, especialmente entre as crianças.
O juiz do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Matheus Moura Matias Miranda, afirmou que a mobilização ocorreu após um pedido de socorro formal das comunidades. Segundo o magistrado, as instituições encontraram uma situação de crise que exige respostas conjuntas dos poderes e esferas de governo.
Como a crise afeta a alimentação e o território?
De acordo com as lideranças indígenas, a mudança no uso da terra e a exploração mineral na região impactaram a segurança alimentar. O pajé Joviel Maxakali relatou que, diferentemente de décadas atrás, a dificuldade para manter roças de arroz, feijão e milho compromete a dieta das famílias.
A professora Sueli Maxakali associou a crise à destruição da Mata Atlântica no Vale do Mucuri. Ela afirmou que a perda da floresta e a poluição causada pela exploração de lítio e da terra afetaram o acesso a alimentos tradicionais, como diferentes espécies de abelhas e frutos do mato, o que impactou a imunidade da população.
A liderança também apontou que a redução da cobertura vegetal está relacionada ao aumento de casos de desnutrição e mortalidade entre o povo Maxakali.
Quais os problemas de saúde e saneamento?
A qualidade da água e o saneamento básico foram pontos centrais nas denúncias. O professor Marilton Maxakali afirmou que a água chega às comunidades com coloração amarelada e presença de ferro, causando problemas gastrointestinais. Ele também criticou o acúmulo de lixo próximo às habitações e às torneiras.
O pajé Isael Maxakali relatou que o abastecimento é irregular e depende de sistemas que falham quando há interrupção de energia, deixando as comunidades sem água por vários dias. Além da saúde física, o sofrimento psicológico foi destacado como uma questão urgente.
Relatos de suicídio entre jovens e o isolamento de adolescentes foram apresentados como sinais da necessidade de atendimento especializado em saúde mental. O presidente do TCE-MG, Durval Ângelo Andrade, reconheceu que o Estado possui uma dívida histórica com os Maxakali no que diz respeito à saúde, nutrição e educação.
