Médium de Águas Claras é acusada de forjar cartas psicografadas com dados de redes sociais
Relatos indicam que mensagens atribuídas a falecidos seriam montadas com informações de perfis no Facebook e Instagram em Águas Claras (DF).
Por Redação Diário Local
A médium Maira Rocha, fundadora da Casa de Caridade Inácio Daniel, em Águas Claras (DF), é alvo de denúncias de que estaria forjando cartas psicografadas utilizando informações extraídas de redes sociais.
Relatos de dezenas de pessoas indicam que as mensagens, que deveriam ser ditadas por entes queridos falecidos, seriam produzidas a partir de pesquisas em fontes abertas, como perfis no Facebook e Instagram, além de boletins de ocorrência. Segundo as queixas, os textos apresentam trechos copiados de postagens antigas, reproduzindo detalhes como o uso de acessórios ou frases usadas pelos familiares em vida.
Além de informações colhidas na internet, há relatos de erros nas mensagens, como a citação de nomes de parentes inexistentes ou informações sobre pessoas que ainda não haviam falecido. Em um dos casos relatados, a médium teria sugerido que o valor de uma poupança de R$ 300 mil fosse doado à instituição.
Como funcionam as denúncias
Os ex-frequentadores afirmam que, embora o impacto emocional do luto dificulte a percepção imediata das falhas, a constatação da falta de veracidade ocorre após o choque inicial. As mensagens seriam acompanhadas de imprecisões conceituais e detalhes que podem ser rastreados em publicações digitais dos próprios enlutados.
A Casa de Caridade Inácio Daniel, localizada na Área de Desenvolvimento Social (ADE) de Águas Claras, afirma em seu site que o serviço de escrita de cartas é gratuito e depende da permissão de quem partiu. No entanto, as denúncias contradizem essa explicação, apontando o uso de dados públicos para a composição dos textos.
Relatos de represálias e orientações da FEB
Um dos pontos centrais das denúncias envolve o temor de retaliações. Pessoas que questionaram a autenticidade das sessões alegam sofrer assédio jurídico, com uma série de ações cíveis, criminais e registros de boletins de ocorrência baseados em acusações de intolerância religiosa.
Sobre a prática de cobranças ou pedidos de ajuda financeira, a Federação Espírita Brasileira (FEB) orienta cautela. A instituição reforça que os médiuns devem seguir o princípio de oferecer o atendimento de forma gratuita, alertando para o risco de contatos que envolvam pagamentos, publicidade ou pedidos de doação.
