Trabalhadores de militância de rua buscam renda extra em campanhas no Distrito Federal
Trabalhadores conhecidos como “bandeirinhas” enfrentam longas jornadas sob o sol para complementar o orçamento familiar no DF
Por Redação Diário Local
Trabalhadores de militância de rua, conhecidos como “bandeirinhas”, utilizam o período eleitoral para buscar uma renda extra no Distrito Federal. O serviço, realizado em pontos como paradas de ônibus, passarelas e rotatórias, é usado por pessoas que buscam complementar o orçamento familiar diante de necessidades financeiras.
Patrícia Dias dos Santos, de 41 anos, moradora da Estrutural e atualmente desempregada, afirma que o trabalho vale o esforço das longas jornadas sob o sol. Para um mês de serviço como cabo eleitoral, ela espera receber R$ 1,7 mil, o que representa aproximadamente R$ 54 por dia.
O valor é destinado ao sustento de sua família de seis pessoas, que conta com o benefício do Bolsa Família e rendas de trabalhos autônomos, como a reciclagem. A rotina de Patrícia é dividida em períodos: um turno pela manhã e outro entre a tarde e o início da noite, intercalados com as tarefas domésticas.
Como funciona a contratação de bandeirinhas?
A contratação de pessoas para a militância de rua durante a campanha é regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O órgão estabelece limites para o número de admissões permitidas.
No Distrito Federal, o cálculo para definir a quantidade de contratados baseia-se na maior região administrativa para cargos proporcionais e no total de eleitores da unidade federativa para cargos majoritários.
Desafios da jornada de trabalho
A rotina exige resistência física devido ao calor e ao esforço de entregar materiais de campanha. Para Kelly Gonçalves, de 42 anos, moradora de São Sebastião, a atividade é uma alternativa necessária por conta da falta de flexibilidade de empregos com carteira assinada.
Kelly, que cuida de dois filhos e de uma filha com deficiência, relata que o trabalho informal permite conciliar a renda extra com os cuidados domésticos e as demandas de saúde da criança, que exige atenção frequente.
Já Marizete Braz de Oliveira, aposentada de 67 anos e moradora do Gama, atua no setor desde os 13 anos. Para ela, além do aspecto financeiro, o contato com o ambiente político e com novas pessoas é um fator de motivação.
Estratégia de campanha nas ruas
A presença de militantes nas ruas é utilizada como uma estratégia para ampliar o alcance das candidaturas. Segundo o cientista político Ariel Calmon, as mobilizações presenciais visam criar uma sensação de proximidade entre o candidato e o eleitor.
A distribuição de materiais por meio de terceiros também atua no reforço da identidade visual da campanha e na difusão de números e propostas para o público.
