Taxistas de São Paulo pedem que passageiros não usem celular para evitar ataques de criminosos
Profissionais alertam para o risco de ataques de criminosos e prejuízos com vidros quebrados durante o uso de aparelhos pelos clientes.
Por Redação Diário Local
Taxistas que atuam na cidade de São Paulo estão fazendo um apelo aos passageiros para que não utilizem o celular durante o trajeto. O objetivo é evitar ataques de criminosos, como a prática de quebrar os vidros dos veículos para roubar os aparelhos.
O uso dos dispositivos tem gerado prejuízos financeiros e emocionais para os profissionais. Além do risco de assaltos, os motoristas enfrentam custos com a reposição de vidros e a perda de dias de trabalho, somando perdas que podem chegar a mil reais por ocorrência.
A taxista Luciana Malheiros relatou que, em um ano, teve dois vidros de seu veículo quebrados por criminosos. Em um dos episódios, ela tentou alertar a passageira sobre o risco, mas não houve tempo para a interrupção do uso. O custo para substituir apenas um dos vidros chega a quase R$ 500, valor que o profissional muitas vezes paga do próprio bolso para não interromper o serviço enquanto aguarda o seguro.
O motorista Luiz Evandro, de 62 anos, também relatou prejuízos significativos. Após um ataque ocorrido em um sábado à noite, que resultou em vidros quebrados, ele estimou perdas de cerca de R$ 1.000, somando o valor do reparo e os dias em que ficou impossibilitado de trabalhar.
Outro relato de risco vem do taxista Custódio Caetano Pinto, de 67 anos. Ele suspeita que um limpador de vidros foi o responsável por quebrar o vidro traseiro de seu carro e subtrair o celular de um passageiro. Com 26 anos de profissão, ele recomenda que os clientes evitem o uso dos aparelhos, especialmente em bairros periféricos ou locais de maior risco.
Segurança e dados de roubos
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate a crimes patrimoniais na capital. Segundo a pasta, o enfrentamento a roubos e furtos de celulares tem sido intensificado com ações de inteligência e operações específicas contra a modalidade de "quebra-vidro".
A SSP afirmou que, no primeiro semestre deste ano, os roubos de celulares em São Paulo registraram uma queda de 14,8% em relação ao mesmo período de 2025. O estado também utiliza o programa SP Mobile, que, desde junho de 2025, recuperou mais de 31,9 mil aparelhos, tendo devolvido cerca de 33% desses dispositivos aos proprietários.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indicam que a cidade de São Paulo possui a terceira maior taxa de roubo e furto de celulares no Brasil. No ano passado, a capital registrou 1.390,5 ocorrências para cada 100 mil habitantes, índice quase quatro vezes superior à média nacional, que foi de 371,2.
