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Menino de 2 anos morre após quatro consultas; família questiona atuação médica em Cubatão

Matteo Lima Albertino, 2 anos, apresentou febre alta na noite de 26 de junho e faleceu quatro dias depois. A Prefeitura abriu sindicância para apurar os atendimentos.

Por Diário Local

Um menino de 2 anos morreu em Cubatão, na Baixada Santista, após uma sequência de quatro atendimentos médicos que estão sendo questionados pela família. Matteo Lima Albertino apresentou febre alta na noite de 26 de junho e faleceu quatro dias depois, em 30 de junho, deixando a mãe, Laysa Lima Albertino, em busca de respostas sobre o que aconteceu.

Até a noite de 25 de junho, Matteo brincava normalmente em casa e na escola. Porém, por volta das 23h30 de sexta-feira (26/6), começou a apresentar febre persistente acima de 39°C, que não cedia mesmo com medicamentos administrados em casa.

No sábado (27/6), pela manhã, os pais levaram o menino ao pronto-socorro do município. De acordo com Laysa, a médica observou uma irritação na garganta, receitou medicamentos e orientou a continuação do tratamento em casa.

Nas horas seguintes, o quadro se agravou. Matteo passou a apresentar vômitos, diarreia e perda de apetite. A família retornou à unidade de saúde no domingo (28/6). Segundo a mãe, o médico responsável atribuiu os sintomas a uma virose, mencionando que era o sexto caso semelhante atendido naquele dia, sem verificar maiores detalhes.

O estado da criança continuou piorando. Matteo ficava cada vez mais abatido, recusava alimentos e permanecia sonolento na maior parte do tempo. "A gente confiava nos médicos. Se eles falavam que era uma virose, a gente acreditava. Eu não sou médica, sou mãe", afirmou Laysa.

Na segunda-feira (29/6), pela terceira vez, a família procurou atendimento médico após perceber novos sinais de piora, incluindo um abscesso na região anal com acúmulo de pus. O diagnóstico recebido também não indicava gravidade, e Matteo foi medicado apenas com uma pomada.

Horas depois, diante do agravamento, os pais retornaram ao hospital pela quarta vez. Foi somente nesse atendimento que exames de sangue foram solicitados. "Depois do quarto atendimento pediram exame de sangue. Até então, não tinham pedido nada", relatou Laysa.

O menino permaneceu em observação e seu quadro se agravou progressivamente. Deixou de urinar, permanecia sonolento e respondia pouco aos estímulos. Os médicos iniciaram a busca por uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica em outro município — Cubatão possui apenas dois leitos de UTI pediátricos no Hospital Municipal.

Segundo a mãe, uma enfermeira manifestou preocupação com a possibilidade de o menino estar desenvolvendo sepse, uma infecção generalizada. O laudo inicial do Instituto Médico Legal (IML) também apontou essa hipótese; o laudo definitivo ainda não foi divulgado.

Durante a segunda-feira, o estado de saúde de Matteo piorou drasticamente. "Quando ele vomitou, era sangue saindo pela boca e pelo nariz. Eu entrei em desespero", contou Laysa. Uma vaga de UTI foi obtida durante a noite, e o menino foi transferido, mas não resistiu.

Abalada, a mãe afirma que pretende buscar responsabilização pelo caso. "Hoje, foi o meu filho. Amanhã pode ser o filho de outra pessoa. Eu quero justiça."

Prefeitura abre sindicância

A Secretaria Municipal de Saúde de Cubatão informou que instaurou uma sindicância administrativa para apurar com rigor e transparência todas as circunstâncias relacionadas ao caso. A investigação será conduzida de forma técnica e imparcial, com a oitiva dos envolvidos e análise dos procedimentos adotados.

De acordo com a secretaria, não é possível antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes da conclusão da apuração. A administração municipal acrescentou que os prestadores de serviço envolvidos colaboram fornecendo informações e esclarecimentos necessários, e reafirmou o compromisso com a qualidade da assistência à população, informando que adotará as medidas cabíveis caso sejam constatadas irregularidades.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.