Governo de Minas cria comitê para enfrentar estiagem e anuncia ajuda com caminhões-pipa no Norte do estado
Governo estadual disponibilizará 94 milhões de litros de água por caminhões-pipa para municípios em situação de calamidade.
Por Redação Diário Local
O governo de Minas Gerais criou, nesta quarta-feira (2), o Comitê El Niño para coordenar as ações de enfrentamento à estiagem e aos impactos das mudanças climáticas no estado. A medida visa antecipar o atendimento a municípios que podem sofrer com a redução dos índices de chuvas no Norte de Minas.
Durante visita a Montes Claros, o governador Mateus Simões assinou o decreto que estrutura o comitê, que reúne órgãos estaduais para planejar respostas antes que o cenário de seca se agrave. De acordo com o governo estadual, a previsão para os próximos meses indica chuvas abaixo do esperado, com uma redução estimada entre 50 e 100 milímetros até o fim do ano.
A redução da precipitação traz riscos para a agricultura, aumenta a possibilidade de queimadas em vegetação nativa e gera perigo de desabastecimento de água para consumo humano e para a criação de animais. Dez municípios já aguardam atendimento na fila de assistência emergencial.
Como será o abastecimento de água?
Para conter os efeitos da seca, o Estado anunciou a disponibilização de 94 milhões de litros de água. O volume será distribuído por meio de 80 caminhões-pipa para municípios que estiverem em situação de calamidade pública.
Segundo o governador, a quantidade de água é suficiente para atender cerca de 215 mil pessoas. A estratégia de distribuição dependerá do plano de cada cidade, podendo o caminhão-pipa abastecer caixas centrais ou realizar o atendimento porta a porta em comunidades isoladas.
Em Ibiaí, no Norte de Minas, a falta de água já atinge populações que vivem longe do Rio São Francisco. A prefeita Maurina Mota Matos relatou que essas comunidades dependem do abastecimento por caminhões-pipa para o consumo humano, já que a prefeitura não consegue atender a todos de forma satisfatória.
Alerta contra riscos de queimadas
Além da escassez hídrica, o período de estiagem eleva o risco de incêndios. O subcomandante regional do Corpo de Bombeiros (CBM), Coronel Gontijo, alertou que o intervalo entre o início de setembro e o começo de outubro é considerado o período mais crítico para ocorrências de fogo.
A combinação de baixa umidade, temperaturas elevadas e vegetação seca favorece a rápida propagação de chamas em lotes, áreas rurais e matas. O subcomandante orientou a população a não realizar queimadas, especialmente neste período de calor e seca, para evitar que os incêndios saiam do controle.
