Polícia Federal desarticula esquema de venda de diplomas falsos de medicina
Investigação aponta pelo menos 45 médicos com registros obtidos por meio de documentos falsificados e fraudes acadêmicas.
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (12), uma operação para desarticular um esquema de venda de diplomas falsos e falsificação de documentos para acesso a faculdades de medicina. A investigação identificou pelo menos 45 pessoas já inscritas como médicos no Conselho Regional de Medicina (CRM) que teriam contratado o grupo para obter documentos fraudulentos e viabilizar o registro profissional.
A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de Montes Claros e Bocaiuva, e nas cidades baianas de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. Além das buscas, foram deferidos judicialmente dois mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária contra os investigados.
As investigações tiveram início a partir da apreensão, em 2023, de um diploma falso de medicina que foi apresentado perante o CRM no estado do Rio Grande do Sul. Na ocasião, o documento supostamente fora fornecido por um dos investigados do grupo.
Ao longo da apuração, a PF reuniu elementos que indicaram a existência de um esquema estruturado para a falsificação e comercialização de diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos. O objetivo final era viabilizar o ingresso ou a transferência para cursos de medicina e, posteriormente, garantir o registro profissional.
Como funcionava o esquema?
As fraudes ocorriam em duas modalidades distintas, segundo a Polícia Federal. No primeiro modelo, o grupo falsificava o diploma para que ele fosse apresentado diretamente ao CRM para obtenção do registro médico.
No segundo caso, a fraude ocorria antes da conclusão do curso. Documentos de ensino superior eram falsificados para que o estudante ingressasse em cursos de medicina já em andamento, simulando uma transferência entre faculdades nos períodos finais da graduação.
A Polícia Federal também identificou a circulação de valores financeiros entre os investigados e pessoas suspeitas de terem adquirido os documentos falsos. O órgão informou que dará prosseguimento às diligências para investigar quem mais possa ter contratado ou utilizado os serviços do grupo criminoso.
Histórico de investigações
O principal investigado deste esquema de diplomas já havia sido alvo de uma investigação da Polícia Federal em 2016. Na época, foi identificada uma organização criminosa envolvida em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Naquela ocasião, a apuração revelou um esquema que recrutava professores e estudantes para realizar as provas e transmitir os gabaritos a candidatos mediante pagamento de valores elevados. A investigação de 2016 alcançou três estados e resultou na prisão de integrantes da organização.
