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PF cita facção apenas uma vez em pedido de prisão contra alvos de sanção dos EUA

Investigação da Polícia Federal sobre rede de lavagem de dinheiro menciona o grupo criminoso apenas uma vez em documento de 79 páginas

Por Diário Local

A Polícia Federal (PF) fez apenas uma menção ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em um documento de 79 páginas que fundamenta o pedido de prisão contra investigados por lavagem de dinheiro. A representação da corporação foca em uma rede de ocultação de bens, mas não apresenta o mesmo embasamento utilizado pelo governo dos Estados Unidos para aplicar sanções aos mesmos indivíduos.

Os alvos das sanções americanas, aplicadas em 1º de julho, incluem dois brasileiros, três empresas brasileiras e uma portuguesa. Segundo o Tesouro dos EUA, o grupo operaria uma rede de lavagem de dinheiro ligada à facção com atuação na Flórida e em São Paulo. No Brasil, a PF deflagrou a Operação Exchange contra o mesmo grupo poucos dias depois.

Entre os investigados estão Victor Henrique de Oliveira Shimada, que é considerado foragido, e Stella Stefanie de Oliveira, que está presa. Ambos são apontados por uma associação criminosa transnacional que movimentaria aproximadamente R$ 10,3 bilhões por meio de uma estrutura envolvendo tecnologia e empresas de fachada.

Divergência sobre o elo com a facção

Na investigação conduzida pela Polícia Federal, a referência ao PCC aparece apenas em um diálogo entre Shimada e Carlos Henrique Costa Almeida, apontado como intermediário de remessas. No relato, Almeida teria questionado sobre a venda de euros para um indivíduo que seria um ex-membro da organização criminosa.

O documento trata o caso como uma solicitação de um suposto ex-integrante, e não como uma atividade direta da organização. Essa conclusão difere da postura do governo dos Estados Unidos, que acusa a rede de colaborar estreitamente com facilitadores nos EUA para depositar recursos de origem ilícita, como o tráfico de drogas, em bancos americanos.

Victor Shimada é investigado pelo esquema de 'dólar-cabo', utilizando criptoativos e laranjas para pulverizar depósitos e esconder os verdadeiros beneficiários. A defesa de Shimada declarou, em nota, que o investigado nega qualquer envolvimento com organizações criminosas ou lavagem de dinheiro e afirmou que aguarda o acesso aos documentos oficiais para se manifestar.

Impacto nas investigações

Autoridades da Polícia Federal indicaram que a aplicação das sanções pelos Estados Unidos, sem aviso prévio, atrapalhou o andamento das investigações brasileiras. Os mandados de prisão contra Shimada e Stella já haviam sido expedidos pela Justiça Federal em junho, mas a equipe ainda trabalhava para localizar o paradeiro de Shimada.

Houve relatos de descoordenação entre o FBI e a Polícia Federal. Delegados consultados mencionaram que, caso houvesse comunicação antecipada sobre a sanção, a operação poderia ter sido realizada de forma conjunta. Autoridades brasileiras também expressaram preocupação de que sanções estrangeiras possam gerar interferência e afetar empresas nacionais.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.