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Tio de alvo de operação da PF usou economias para tratar dentes para pagar esquema de sobrinho

Investigação aponta que Amauri Henrique de Oliveira usou R$ 4 mil guardados para tratamento dentário para completar entrega de dinheiro a mando de sobrinho

Por Diário Local

Amauri Henrique de Oliveira utilizou cerca de R$ 4 mil de suas economias, reservadas para um tratamento dentário, para complementar o pagamento de uma entrega de dinheiro a mando de seu sobrinho, Victor Henrique de Oliveira Shimada. O caso foi detalhado em decisão da Justiça Federal que fundamentou a Operação Exchange, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (3/7).

De acordo com as investigações da PF, Amauri é tio materno de Shimada, um dos alvos da operação e um dos dois brasileiros sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. O uso do dinheiro próprio teria ocorrido durante uma viagem realizada em 12 de maio de 2024, na qual Amauri transportava reais e dólares a pedido do sobrinho.

Segundo o relatório policial, Amauri percebeu durante o deslocamento que havia esquecido de levar US$ 7,7 mil (cerca de R$ 39,8 mil) que deveriam compor a entrega. Para evitar que o repasse fosse comprometido, ele passou a madrugada buscando caixas eletrônicos e casas lotéricas, informando ao sobrinho que utilizaria recursos próprios para cobrir parte da diferença.

Como funcionava a logística de transporte

As mensagens analisadas pelos investigadores indicam que, no início da viagem, Amauri confirmou que estava com R$ 23 mil e US$ 10 mil. O trajeto envolvia o deslocamento em direção a Curitiba (PR) e, posteriormente, Florianópolis (SC).

A Polícia Federal afirma que Amauri não atuava de forma ocasional, mas exercia a função de operador logístico, sendo responsável por receber, contar, guardar e transportar dinheiro em espécie a pedido de Shimada. Em uma das comunicações, o investigado chegou a relatar que havia recebido R$ 331 mil, mas que faltavam R$ 19 mil para completar o valor combinado.

Para confirmar a conclusão do repasse sem utilizar comprovantes bancários, Amauri teria enviado uma fotografia de uma cédula de R$ 2 com anotações manuscritas. Para os investigadores, a nota funcionava como um recibo informal para validar a operação.

Sobre a Operação Exchange

A Operação Exchange investiga uma organização suspeita de realizar lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. O grupo é investigado por movimentar recursos por meio de operações bancárias de alto valor, criptoativos e transporte de grandes quantias em espécie.

A Justiça Federal autorizou o bloqueio e o sequestro de até R$ 10,4 bilhões em bens, valores e criptoativos dos investigados e das empresas envolvidas no caso. O principal alvo, Shimada, foi sancionado pelo governo norte-americano por suposta atuação como elo financeiro de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

No entanto, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou que não possui informações que relacionem o empresário à facção criminosa. A defesa de Shimada negou envolvimento com organizações criminosas ou lavagem de dinheiro e afirmou que ainda não teve acesso integral aos elementos da investigação.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.