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Segurança

Grupo criminoso utilizou túnel de quadrilha condenada em 2023 para furtar combustível no DF

Investigação do MPDFT aponta que trio responsável por furtos de petróleo em Ceilândia seguiu estratégia de grupo condenado em 2023

Por Davy Albuquerque

Um grupo de criminosos conhecido como “Piratas do Combustível” utilizou um esquema de furto de derivados de petróleo em Ceilândia (DF) que herdou a estrutura de uma quadrilha condenada em 2023. O trio responsável pelos crimes em junho deste ano (2026) seguiu o mesmo método de escavação e logística de um bando que já havia sido punido por um crime idêntico no mesmo oleoduto.

Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a conexão entre os grupos foi identificada após o quebra de sigilo telefônico. A investigação apontou uma relação de amizade entre Paulo Batista, preso no mês passado (junho), e José Cláudio de Sousa, um dos líderes do grupo que saqueou o duto da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em janeiro de 2023.

As mensagens trocadas via aplicativo WhatsApp indicam que a rede de receptadores usada para escoar o combustível furtado estava interligada à estrutura utilizada pelo grupo condenado anteriormente.

Como funcionava o esquema?

A estratégia para facilitar o crime consistia em alugar imóveis situados a poucos metros da faixa de servidão onde passa o duto subterrâneo. Isso reduzia o tamanho do túnel que os criminosos precisavam cavar. No crime ocorrido em junho deste ano (2026), o trio alugou um galpão comercial alegando que abriria uma oficina para disfarçar a movimentação de caminhões-tanque e o cheiro de combustível.

No esquema de 2023, o grupo utilizava a fachada de um depósito de gás desativado para esconder a atividade. Além de José Cláudio de Sousa, outros membros do grupo anterior, como Enézio Sandro Rodrigues dos Santos e Luciano Félix Pereira, foram condenados a penas entre 9 e 12 anos de prisão.

Quem são os envolvidos?

O trio identificado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) é composto por José Marle de Queiroz Lucena, Antonio Marcos da Silva Seurinho e Paulo Batista de Oliveira. Antônio Marcos, de 43 anos, foi apontado como o líder e responsável pela logística do esquema. Ele já possuía passagens por furto qualificado, receptação e crime de trânsito.

José Marle e Paulo Batista realizavam o trabalho braçal, que incluía a escavação do túnel de 5 metros de comprimento, a soldagem de válvulas de alta pressão e o desvio do combustível, que ocorria de duas a três vezes por semana.

A Justiça aceitou a denúncia contra o grupo, que pode responder por furto qualificado, associação criminosa, crime ambiental e crime contra a ordem econômica, com penas de até 18 anos. Os suspeitos afirmaram em defesa que foram contratados por terceiros e que desconheciam o objetivo da estrutura, mas o MPDFT argumentou que as evidências, como o maquinário de solda e o túnel direcionado ao duto, desmentem a tese de prestadores de serviço inocentes.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.