MP descarta homicídio doloso em morte de menino eletrocutado no DF
Ministério Público avalia que caso de criança morta por choque em trailer pode ser negligência e pede envio à Vara Criminal.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) rejeitou, por ora, a hipótese de homicídio doloso na morte de Erick Sousa Soares, de 12 anos, atingido por uma descarga elétrica em um trailer no Itapoã. O caso aconteceu após o menino sofrer o choque ao tentar buscar uma bola que caiu embaixo do veículo.
O promotor Daniel Bernoulli Lucena de Oliveira afirmou que não foram identificados elementos que indiquem a ocorrência de crime doloso contra a vida. Diante do cenário, o órgão ministerial entendeu que pode ter ocorrido negligência, imperícia ou, eventualmente, fraude processual.
Por esse motivo, o MPDFT requereu que os autos sejam remetidos à Vara Criminal do Itapoã para que o juízo competente realize a apuração dos fatos.
O que diz a investigação policial
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do ocorrido. Segundo o delegado da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Bruno Carvalho, equipes de perícia identificaram uma tomada interna no trailer que causava fuga de eletricidade. A investigação apontou que o veículo não possuía aterramento nem equipamentos de segurança.
De acordo com as diligências, a energia do trailer era conectada a uma tomada residencial por meio de uma extensão. Essa extensão passava pela rua e ficava exposta, sem isolamento. Testemunhas confirmaram que o equipamento estava ligado ao momento em que o menino sofreu a descarga.
Relatos colhidos pela polícia indicam que não era a primeira vez que choques eram identificados no local. Um eletricista afirmou que, cerca de um mês antes do acidente, o responsável pelo trailer autorizou a execução de um serviço de extensão sem o aterramento necessário.
Contestação da família e próximos passos
A família de Erick contestou a manifestação do MPDFT e solicitou uma nova análise antes do envio do caso à Justiça. Na petição, os parentes destacaram depoimentos que sugerem que o dono do trailer teria sido avisado sobre os riscos da estrutura metálica.
Diante do pedido da família, o MPDFT solicitou a juntada da folha de antecedentes penais do proprietário do trailer. O objetivo é verificar a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mecanismo que permite ao órgão não apresentar denúncia criminal caso o investigado cumpra certas condições.
Erick Sousa Soares morreu no dia 24 de julho (24), após sofrer o choque elétrico. O menino foi socorrido e levado ao Hospital Região Leste (Paranoá), mas não resistiu às queimaduras e à parada cardiorrespiratória.
