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Influenciadora "Pocahontas" é solta, mas noivo permanece preso em operação contra fraudes

Lara Daniella Oliveira Cruz foi liberada na noite de quarta (1º), enquanto Luan Matheus Feliciano segue detido por mandado de prisão temporária em investigação sobre esquema de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro no Distrito Federal.

Por Diário Local

A influenciadora Lara Daniella Oliveira Cruz, conhecida como "Pocahontas", foi colocada em liberdade na noite de quarta-feira (1º de julho), poucas horas após ser detida na Operação Black Card. Seu noivo, Luan Matheus Feliciano, permanece preso por força de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça do Distrito Federal.

Enquanto a defesa de Lara obteve sucesso rápido na sua liberação, investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) concentram esforços sobre Luan Matheus. De acordo com as investigações, ele ostentava um padrão de vida de extremo luxo — carros importados, viagens para destinos paradisíacos e joias valiosas — sem profissão declarada ou fonte de renda legítima que justificasse essa ostentação.

Luan não é novo nos registros policiais. As investigações apontam que o suspeito já foi preso anteriormente em flagrante pelo crime de estelionato, evidenciando uma dedicação contínua às práticas fraudulentas que sustentavam o patrimônio do casal.

Operadora financeira do esquema

Segundo a Coordenação de Repressão às Fraudes (CORF), Lara Daniella exercia um papel crucial como uma das principais operadoras financeiras do esquema. Os investigadores apontam que ela atuava diretamente no núcleo operacional e financeiro do grupo criminoso, prestando apoio logístico à execução das fraudes eletrônicas.

Lara coordenava a movimentação e a ocultação de valores ilícitos, gerenciando o recebimento de parte expressiva dos lucros do grupo. Sua atuação abrangia desde o planejamento até a execução das atividades criminosas, segundo aponta a investigação da Divisão de Análise de Crimes Virtuais da CORF.

A rotina de Lara era exposta constantemente nas redes sociais, principalmente por sua própria conta. Ela exibia viagens para resorts exclusivos ao longo do ano, aquisição contínua de veículos de luxo importados, joias de alto valor e roupas de marcas internacionais conceituadas.

Os passeios incluíam gastronomia sofisticada em restaurantes caros e aventuras a bordo de jet-skis. Frequentava praias exclusivas do Nordeste brasileiro e até Dubai, sempre registrando a rotina nas redes sociais. Quase sempre desfilava de biquíni ao lado de carrões importados de marcas alemãs, exibindo uma realidade incompatível com qualquer atividade lícita formal.

Esquema de lavagem de dinheiro

Para dar aparência de legalidade ao dinheiro acumulado de forma fraudulenta, Lara mantinha uma loja de sapatos e de suplementos voltada, segundo as investigações, especificamente para lavar dinheiro do crime. A empresa funcionava como fachada para movimentação de recursos ilícitos.

Lara é também proprietária e administradora de um canal no Telegram dedicado a apostas eletrônicas. De acordo com as investigações, a plataforma operava de forma não regulamentada, prática proibida no Brasil quando a empresa não possui regulamentação federal.

Operação deflagrada

A Operação Black Card visava desarticular a organização criminosa especializada em invasão de sistemas, estelionatos com cartões bancários e lavagem de capitais. A polícia cumpriu 18 mandados judiciais, sendo sete de prisão temporária e 11 de busca e apreensão.

O modo de operação do grupo era sofisticado. Os criminosos obtinham dados e cartões bancários de terceiros de forma ilícita e utilizavam maquininhas de pagamento cadastradas sob CPFs e CNPJs de fachada. Criavam links falsos de cobrança e pulverizavam os montantes recebidos por meio de empresas recém-abertas e contas bancárias de laranjas.

A estrutura contava com divisão rigorosa de tarefas: captadores de dados, executores das fraudes, recrutadores de laranjas e administradores financeiros responsáveis por alterar registros em órgãos públicos. Nas contas dos investigados, foram identificadas movimentações financeiras totalmente incompatíveis com a renda declarada.

Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam grande quantia em dinheiro vivo, relógios de luxo e celulares. Segundo a polícia, após a prisão de um dos principais líderes do grupo em ação policial anterior, os membros restantes entraram em alerta, apagando perfis nas redes sociais, trocando números de telefone e reduzindo drasticamente as aparições públicas para dificultar o rastreamento.

Posicionamento das defesas

A defesa de Lara Daniella publicou nota sobre sua prisão durante a operação. A advogada Luma Benjamim informou que a investigada "se colocou e permanece à inteira disposição das autoridades, colaborando de forma ativa e transparente com o andamento das investigações".

"A verdade prevalecerá e estamos empenhados em demonstrá-la nos autos", encerrou a advogada. A defesa de Luan Matheus não foi localizada para se manifestar sobre a manutenção de sua prisão temporária até o fechamento das apurações.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.