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Segurança

Polícia do ES confirma uso de IA em fotos de apreensões enviadas à imprensa

Secretaria de Segurança admitiu o uso de inteligência artificial na edição de imagens de materiais apreendidos para fins de divulgação.

Por Redação Diário Local

A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) confirmou o uso de inteligência artificial (IA) na edição de fotos de materiais apreendidos que foram enviadas à imprensa. A confirmação ocorre após a identificação de distorções e erros visuais em imagens distribuídas pelas polícias Civil e Militar do Espírito Santo durante o mês de agosto.

As irregularidades foram detectadas em registros de operações em cidades como Vitória, Vila Velha e Ecoporanga. Entre as falhas apontadas por especialistas, estão cédulas de Real com números e inscrições deformados, munições com formatos irregulares e objetos que parecem se fundir uns aos outros nas fotografias.

Em uma das imagens, divulgada pela Polícia Militar após operação em Vila Velha na última quinta-feira (28), uma nota de R$ 100 apresentava uma silhueta humana que não faz parte do desenho original da cédula. Além disso, detalhes gráficos e inscrições de outros valores monetários também apareceram pouco definidos ou com grafia estranha.

A análise técnica também revelou inconsistências em equipamentos de segurança e entorpecentes. Em registros de apreensões de munições e armas, as sombras projetadas nos objetos não correspondiam à iluminação da cena, e componentes mecânicos, como o gatilho de um revólver, apresentavam encaixes impossíveis.

O especialista em inteligência artificial Breno Lobato afirmou que as imagens possuem indícios claros de manipulação. Segundo ele, a falta de consistência em texturas, sombras e informações numéricas evidencia que o conteúdo não é uma fotografia documental autêntica.

Questionada sobre o caso, a Sesp informou que as imagens citadas foram enviadas exclusivamente para fins de divulgação institucional. A pasta ressaltou que esses arquivos não integram os registros oficiais das ocorrências nem os materiais de prova utilizados nas investigações criminais.

Riscos de desinformação e responsabilidade

A manipulação de imagens de segurança pública pode gerar impactos jurídicos. Para o advogado criminalista Raphael Boldt, a prática pode produzir desinformação institucional e violar direitos de pessoas identificáveis nas fotos, o que pode fundamentar pedidos de indenização.

O especialista alertou que, em situações mais graves, o uso de conteúdos alterados pode gerar responsabilização administrativa ou penal para os responsáveis. A conduta também poderia colocar sob suspeita outros elementos de prova produzidos pelas corporações de segurança.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.