Diário Local
Justiça

Preso tenta provar inocência com laudos de digitais omitidos em processo de assalto em Bertioga

Defesa de comerciante apresenta laudos papiloscópicos que teriam sido ignorados em investigação de assalto ocorrido em 2020.

Por Redação Diário Local

Alexsandro Cantuária de Souza busca agora uma revisão criminal para tentar provar sua inocência em um caso de assalto ocorrido em Bertioga, no litoral de São Paulo, em junho de 2020. A defesa do comerciante apresenta laudos papiloscópicos, referentes a impressões digitais, que teriam sido omitidos do processo desde a fase de inquérito.

O processo contra Alexsandro já transitou em julgado, resultando em uma condenação de mais de 25 anos de prisão. A nova tentativa de absolvição baseia-se em documentos obtidos por meio de uma Ação de Justificação Criminal, homologada pela Justiça em julho de 2026.

O que dizem os laudos de digitais

De acordo com os documentos apresentados pela defesa, a perícia realizada nas cenas do crime — que incluíram a residência invadida, o local onde os assaltantes pernoitaram e um veículo da vítima — coletou 133 impressões digitais. Um laudo elaborado oito dias após o crime teria concluído que nenhuma das digitais pertencia a Alexsandro.

A defesa aponta ainda que outro laudo identificou que um fragmento encontrado na porta do carro da vítima pertencia a Felipe Benício Ramos. Esse documento teria sido enviado à autoridade policial em novembro de 2020 e em fevereiro de 2021, mas não teria sido integrado aos autos do processo contra Alexsandro durante a ação penal.

Felipe Benício Ramos também nega envolvimento no crime. O ex-delegado titular de Bertioga, responsável pela apuração do caso, chegou a solicitar informações à perícia sobre os indícios que ligavam Felipe à cena do crime em dezembro de 2020, mas as informações não foram anexadas ao processo na época.

Argumentos de álibi e acusação

Além das digitais, a defesa alega que Alexsandro estava no município de Guarujá entre os dias 9 e 10 de junho de 2020, quando o assalto aconteceu. Registros de antena da operadora Nextel indicariam que o celular utilizado pelo comerciante e o de sua esposa não saíram da cidade no período do crime.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) contesta os argumentos. A procuradoria afirma ser impossível confirmar a localização exata de Alexsandro, uma vez que os aparelhos celulares eram compartilhados com sua esposa. A acusação sustenta que a conexão do comerciante com os criminosos está amparada em relatos da investigação e em elementos encontrados em sua residência.

A procuradora Águeda Maria Barbosa Hajar manifestou-se nos autos de forma contrária ao reconhecimento da revisão criminal, defendendo que o recurso tenta reavaliar matérias já decididas anteriormente pela Justiça.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.