Relatório do Cenipa aponta que helicópteros que bateram no Rio seguiam a mesma rota
Investigação preliminar do Cenipa revela que as duas aeronaves utilizavam planos de voo combinados no momento da colisão no Recreio.
Por Davy Albuquerque
Um relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) aponta que os dois helicópteros que colidiram no dia 14 de junho, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio, utilizavam rotas coincidentes no momento do acidente.
De acordo com o documento, os planos de voo das duas aeronaves previam a utilização das Rotas Especiais de Helicópteros (REH) Praia e Grota, com níveis de voo coincidentes. A colisão ocorreu entre as posições conhecidas como Tachas e Piabas, na REH Grota, na altura do Recreio.
A batida resultou na morte de seis pessoas que estavam a bordo das aeronaves. As vítimas confirmadas pelo relatório são o piloto Charles Marsillac, da aeronave PR-DJJ, e o piloto Alexandre Souza, da aeronave PP-MAC, além de Lucas Frota, Gaspar Prim, Lucas Vignale e Nickel Oliver Tree.
O que diz a investigação sobre os radares?
O relatório detalha que o helicóptero PP-MAC não foi detectado pelos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab) em nenhum momento do voo. Esta aeronave transportava o cantor Oliver Tree e o youtuber Gaspi.
Por outro lado, a aeronave PR-DJJ foi monitorada pelos radares desde a decolagem até instantes antes da colisão. A última posição registrada do helicóptero mostrava que ele voava a cerca de 244 metros de altitude (800 pés) e a aproximadamente 200 km/h (108 nós).
Ausência de caixas-pretas e clima favorável
Segundo o Cenipa, nenhum dos dois helicópteros possuía gravadores de dados de voo (FDR) ou gravadores de voz da cabine (CVR), equipamentos conhecidos como caixas-pretas. O documento esclarece que não havia exigência regulatória para a instalação desses dispositivos nas aeronaves envolvidas.
As condições meteorológicas no momento do acidente também foram analisadas. O boletim meteorológico indicava condições favoráveis ao voo visual, com boa visibilidade, ventos fracos e ausência de restrições que comprometessem a operação.
Local da queda
Após a colisão, as aeronaves caíram em um terreno de uma igreja abandonada que havia sido alugado pela empresa BYD, na região da Avenida das Américas. Um dos helicópteros explodiu ao atingir o solo, o que gerou chamas e explosões próximas a veículos elétricos no local.
