Represas da Grande São Paulo recebem 208 bilhões de litros de água desde o início de setembro
Volume de chuvas acumulado desde o início do mês superou a capacidade da represa Guarapiranga e elevou o SIM para 1 trilhão de litros
Por Redação Diário Local
As represas que integram o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo, receberam 208 bilhões de litros de água desde o início de setembro. O aumento expressivo é reflexo de um volume de chuvas acima da média registrado na região metropolitana nos últimos dias.
Na última quinta-feira (17), o volume total do SIM atingiu 1,05 trilhão de litros. No início do mês, os reservatórios que atendem a região contavam com 843 bilhões de litros, o que demonstra uma rápida recuperação do sistema.
O volume acumulado de água desde o começo de setembro é superior à capacidade de armazenamento da represa Guarapiranga, que guarda 171 bilhões de litros. Atualmente, as chuvas fazem com que o SIM receba uma vazão de 239 mil litros por segundo, fluxo capaz de encher uma piscina olímpica em cerca de 10 segundos.
Situação do Sistema Cantareira
O Sistema Cantareira, o maior entre os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo, também registra avanços. Até a última quinta-feira (17), o sistema recebeu 257,2 mm de chuva, o que faz com que a entrada de água seja quase o triplo da média histórica para o mês de setembro.
Desde o começo do mês, a vazão média no Cantareira tem sido de 66 mil litros por segundo. Esse volume permitiu que o reservatório alcançasse o patamar de 39,9% de seu volume útil.
Caso o ritmo de recuperação se mantenha até o final de setembro, o sistema poderá deixar a faixa de alerta (entre 30% e 40% de volume útil) e retornar à faixa de atenção (entre 40% e 60%). Com essa mudança, a Sabesp poderá ampliar a captação de água para até 31 mil litros por segundo, ante o limite atual de 27 mil litros.
Riscos com El Niño e altas temperaturas
Apesar do cenário favorável de chuva, especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) pedem atenção. O avanço do El Niño pode provocar a elevação das temperaturas, principalmente a partir de janeiro.
A pesquisadora do Cemaden, Adriana Cuartas, afirmou nesta terça-feira (15) que, embora o volume de chuvas gere uma sensação de recuperação, o sistema precisará de monitoramento nos próximos meses. Segundo a especialista, o aumento das temperaturas contribui para a perda de água nos reservatórios.
