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São Paulo

Polícia investiga empresas de ônibus com suspeita de ligação com PCC em São Paulo

Investigação aponta que 12 operadoras que respondem por 41% dos embarques na capital paulista seriam controladas pela facção

Por Redação Diário Local

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram, nesta quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta para investigar uma possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público de São Paulo. A investigação aponta que 12 das 22 empresas que operam o sistema municipal de ônibus seriam, em tese, controladas, direta ou indiretamente, pela facção criminosa.

Segundo dados da SPTrans, as 12 empresas citadas na investigação operam linhas locais e foram responsáveis por cerca de 41% dos embarques registrados em agosto. No período, as companhias transportaram 72.947.123 passageiros, enquanto o sistema municipal de transporte somou um total de 177.902.234 embarques.

As operadoras investigadas também concentram 510 linhas, o que equivale a 38% de toda a rede de ônibus da capital. Esses trajetos são utilizados principalmente para deslocamentos entre bairros ou regiões próximas, com forte presença em áreas periféricas.

O que diz a operação e os alvos

A ação policial cumpre 16 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão. Entre os alvos da investigação está o ex-vereador Milton Leite, apontado pelos investigadores como possível "dono de fato" da empresa Transwolff. Milton Leite nega qualquer ligação com a operadora ou com a facção criminosa.

A Operação Vectura Corrupta apura suspeitas de corrupção de agentes públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas eleitorais com recursos vinculados ao crime organizado. As investigações seguem em curso e as suspeitas dependem de comprovação judicial.

Reação da Prefeitura e qualidade do serviço

O prefeito Ricardo Nunes determinou que dois gestores ligados à empresa A2 Transportes sejam afastados de suas funções em até 24 horas. O prefeito afirmou que a Prefeitura poderá intervir na operação caso a medida não seja cumprida. Um grupo formado pela Procuradoria-Geral do Município, Controladoria-Geral, SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade foi criado para analisar os contratos e documentos da companhia.

A A2 Transportes, que também é citada na investigação, ocupa a última posição no Índice de Qualidade do Transporte (IQT) da SPTrans, com média de 58,11 pontos. Resultados abaixo de 60 pontos são considerados ruins pela classificação do órgão, que avalia regularidade, segurança e satisfação dos passageiros.

Empresas como Transwolff e UPBus já haviam sofrido intervenção da Prefeitura após a Operação Fim da Linha, realizada em 2024, que também investigava suspeitas de lavagem de dinheiro para o crime organizado no setor de transporte coletivo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.