Diário Local
Clima

Prefeitura do Rio mobiliza 50 órgãos para antecipar ações contra efeitos do Super-El Niño

Prefeitura antecipa protocolos de prevenção para lidar com aumento de temperatura e chuvas intensas causadas pelo fenômeno climático

Por Davy Albuquerque

A Prefeitura do Rio de Janeiro antecipou a mobilização de mais de 50 órgãos municipais para atuar na prevenção e resposta aos impactos do Super-El Niño. A medida busca preparar o município para o aumento de temperatura e para a intensificação de chuvas, fenômenos que podem ocorrer de forma precoce na cidade.

Em coletiva realizada ontem (20), no Centro de Operações e Resiliência (COR), o prefeito Eduardo Cavaliere explicou que parte dos efeitos do fenômeno pode funcionar como uma antecipação do verão. O prefeito ressaltou que áreas urbanas já sofrem com o calor e que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) seguem em andamento para mitigar danos.

O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, alertou que 40% do território do Rio sofre com alto impacto do calor, o que pode agravar a situação de grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas em situação de rua.

Como funcionam os alertas da prefeitura?

O subsecretário de Defesa Civil, Rodrigo Gonçalves, explicou que a prefeitura trabalha com cinco níveis de estágio operacional. O primeiro nível não exige mudanças na rotina; o segundo indica risco de acontecimentos; o terceiro registra ocorrências em andamento; o quarto afeta a mobilidade e orienta o cidadão a não se deslocar; e o quinto nível indica alto risco, com cancelamento de eventos e necessidade de apoio total da prefeitura.

Atualmente, as secretarias e órgãos de resposta estão em alerta máximo. A prefeitura conta com mais de 50 protocolos envolvendo órgãos municipais, estaduais e da União, incluindo parcerias com a Marinha do Brasil para monitoramento de marés.

O que esperar do fenômeno climático?

Segundo a meteorologista Juliana Hermsdorff, do Sistema Alerta Rio, o El Niño pode ser muito forte entre novembro e dezembro deste ano. Ela explicou que as áreas urbanizadas criam ilhas de calor, que funcionam como combustível para a formação de chuvas intensas na cidade.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) já havia indicado, em maio, uma alta probabilidade de formação do fenômeno para este período. O impacto será diferenciado conforme a região: áreas rurais podem enfrentar aridez e queimadas, enquanto regiões como a Costa Verde e a Região Serrana podem ter maior risco de inundações e enxurradas.

Obras de infraestrutura e prevenção

O secretário de Infraestrutura, Wanderson Santos, destacou que obras de drenagem em Realengo, na Avenida Bernardo de Vasconcelos, devem ter a primeira fase concluída ainda este ano. Em Acari, as intervenções do PAC foram iniciadas, com previsão de término em três anos. No Jardim Maravilha, a fase de esgotamento e urbanização foi entregue, enquanto a construção de diques já começou.

Para o controle térmico, a Secretaria municipal de Ambiente e Clima, sob gestão de Lívia Galdino, informou que foram realizados 112,4 mil plantios de árvores este ano. O município também investe na construção de parques urbanos, como o Terra Prometida, em Santa Cruz, e o Linear da Maré, para ampliar a vegetação e o conforto térmico.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.